Caindo pra cima


31/10/2005


Rálouim

Fazia tempo, mas ele voltou. O sentimento de culpa por não dar tudo o que minha filha precisa, de tempo a beijos e atenções. Mas o que me deixou revoltada hoje não foi o sentimento em si, ao qual me acostumei como alguém que já espera um ônibus lotado para voltar para casa, mas o motivo dele. Estou me sentindo uma mãe culpada por não ter - acredite -providenciado uma fantasia Rálouim pra Nina. Ela foi para a escola, onde hoje acontece a festinha, com seu habitual moletonzinho desbotado.

Eu preciso confessar: eu detesto o Ráloium, apesar de ler sobre mitologia celta e achar seu significado muito bonito. O que me mata é essa nossa mania de macaquear o que é de fora, e esquecer o que de bom tem aqui dentro. Não que eu seja profunda entendedora de sacis, botos rosas e mães d´água, apesar de ler sobre também... Mas daí a aceitar cinco moleques vestidos de vampiro na porta do seu apartamento pedindo doces, como se estivessem em um filme estadunidense, dá uma estrada muito longa.

Como toda festa pagã, o Rálo louvava basicamente duas coisas: a boa colheita do ano e os espíritos e deuses que garantiam essa boa colheita. Nada diferente das festas pagãs gregas, romanas, egípcias, andinas e outras tantas pelo mundo. Sobre esse sentido, o de agradecimento à mãe natureza, eu não tenho nada contra. Agora, ao festejar por festejar, porque "é legal", porque "as crianças gostam", eu tenho muito contra. Eu simplesmente penso o seguinte: se agora é fato consumado, se não dá mais para voltar e fazer as crianças curtirem o saci, que pelo menos essa festa ganhe algum sentido pra nós.  

E o que nos impede de convidar os sacis, os boi tatás e as caiporas para festejar junto com os duendes, fadas e bruxas da festa celta? Estaríamos fazendo aquilo que somos craques: misturar ritos, culturas e crenças, para dela surgir uma terceira, genuinamente brasileira. Não vejo porque as escolas não fazem isso. Desse jeito, não deixaríamos nenhuma criança triste e, de quebra, aproveitaríamos o momento para (re)introduzir nossos mitos aos pouquinhos.

A propósito de misturas raças mitológicas, ontem à noite, explicando para a Nina porque eu não gosto do Rálo, disse que depois que as bruxas vieram para o Brasil os sacis, as mulas sem cabeça e as iaras ficaram tristes, no que ela completou: "as Emílias também, né, mamãe?"

É filha, as Emílias também....

 

 

 

 

Escrito por mim às 18h10
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28/10/2005


Sentimentos sentimentais - I

Você já sentiu que "algo acabou", mesmo que não tenha acabado oficialmente, na real, de fato? Se sim, continue lendo para ver se é a mesma coisa que eu estou sentindo nos últimos meses, com relação ao meu emprego. Se não, leia mesmo assim, para que um dia, caso venha a sentir, possa dizer: "putz, li algo sobre isso em um blog qualquer..."

O sentimento de que "algo acabou" é muito esquisito. É primo do sonho recorrente, irmão do dejavu, sobrinho das "saudades daquilo que vc nunca viveu". Aliás, sobre as "saudades daquilo que vc nunca viveu", um dia escrevo sobre. Vale um estudo bastante aprofundado. Por ora, digo apenas que é uma mistura de saudade com inveja.

Voltando ao assunto. Sentir que "algo acabou" é, por exemplo, sacar aquela eletricidade no ar que precede uma bela puxada de tapete. Ou perceber os olhares estranhos das pessoas ao redor, só porque rolou uma rádio peão básica sobre "mudanças na estrutura" da sua área. Ou ouvir, pela primeira vez, seu namorado baixar o nível durante uma briga, coisa que vcs prometeram a si mesmos - entre beijos apaixonados - nunca acontecer.

E porque sentir que algo acabou e não que algo está acabando? Porque quando vc sente isso, vc sabe que esse algo é barco furado, mesmo sem ter chegado ao fim do naufrágio. Um exemplo dessa diferença: um dia desses eu estava conversando com uma amiga separada e, contando o caso de um casal em crise, disse que a coisa tava tão feia que os dois já estavam trocando "elogios" e tudo. Ela falou: "Ihh...esses dois já eram". É isso. Não acabou, mas acabou.

Mas, o que fazer com esse sentimento? Nada. Ou melhor, vc tem algumas opções: colocar no bolsa e assobiar, cagar e andar, ligar o phoda-se ou esperar sua hora chegar. Bem, se vc não conseguir aplicar nenhuma dessas alternativas, é porque, aí, aquilo não acabou de verdade para vc. Mas aí entramos no sentimento de que "algo acabou, mas vc não quer que acabe", não menos complexo.

Sobre estes tantos feelings do tipo "a volta dos que não foram", lembrei de um trecho de uma música do Chico Buarque, da Ópera do Malandro, que fala assim:

"saudades é o revés do parto, é como arrumar o quarto, do filho que já morreu".

Mega triste, mas de uma poesia sem descrição.

Escrito por mim às 10h25
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26/10/2005


A paz invadiu o meu coração

 Saudadinha chata...credo.

Escrito por mim às 15h11
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25/10/2005


Pra onti

Querido diário

Minha colega Solange pediu para eu lançar essa discussão mui relevante ao público blogueiro (como se eu tivesse um), então vou perguntar: porque será que tudo na nossa vida profissional é "pra ontem" ? Não dá para ser "daqui alguns minutinhos"? Sim, porque pedir para que seja "para hoje" há tempos já se tornou demodê, quase como pedir para escrever em máquina Olivetti. "Pra amanhã", então, vixe! Esse pode ser considerado o "elo perdido" com nossos ancestrais trabalhadores, a resposta que falta para sabermos de que olaria pré-cristã descendemos. Nós, os dedos nervosos. Os trabalhadores com LER.

Enfim, os egípcios perderam décadas, mas fizeram Queóps, uma das sete maravilhas do mundo. Sérgio Naya fez o conjunto Palace em meses, se não me falha a memória. Porra de mundo capitalista.

Escrito por By FeFavaro às 17h06
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A culpa é da DDA

Então, tá. Fiz meu blog. Com um atraso de alguns anos, como se vê, mas essa sou eu. A famosa atrasada. Eu prefiro chamar de distraída ou, como diz minha amiga Larissa, "surtada de DDA". O pior é que eu acho que tenho essa coisa mesmo, ou pelo menos acredito que tenho. Sim, o que é DDA. DDA é Distúrbio do Déficit de Atenção, tecnicamente uma doença mental. Então, pode-se dizer que sou uma doente mental. Mas sou mansinha. hehehe...

Aliás... (adoro começar textos com "aliás", vc vai ver). Aliás, adoro escrever "hehehe" quando acho alguma merda que escrevi engraçada. O uso indiscriminado do Hehehe nas msgs eletrônicas deve ser algum distúrbio também, como a DDA. Então, o nome seria DSHehehe "Distúrbio do Superávit de Hehehe".

Quanta merda. Essa sou eu, um depósito insano de merdas. Merdas literárias, merdas filosóficas, merdas de todos os tipos. Mas, como diria um outro amigo meu, pseudo-escritor, pelo menos servimos para adubar as flores! Hehehe

E viva Che Guevara!

Escrito por By FeFavaro às 16h48
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos