Quero mais do que filosofar em cafés e mesas de bar, imaginando como o mundo seria melhor se, se e se... Sim, eu desejo olhar para trás e ver que minha existência mudou alguma coisa nesse planeta. Mas diz, você aí, se não é muito bom jogar horas e horas de conversa fiada, filosofia de boteco, máximas sobre a vida (suas ou de outros), elucubrações delirantes, teorias de conspiração, piadas e babaquices insanas em geral tomando um bom café ou bebericando a cerveja do seu coração?
Veio bem a calhar minha conversa com o Lú ontem, no Franz Café. Lugarzinho in, cheio de gente cool. Para mim, só mais um lugar onde a gente pode sentar, relaxar as patas e a mente. Falamos sobre todo tipo de coisa, dos nossos dramas sentimentais e relacionamentos complicados, passando por sonhos, ambições, indignações com as coisas do mundo e palpites ao estilo Nostradamus. Saí mais leve, apesar da dor de cabeça por ter dormido à tarde, depois do almoço. Saí me sentindo mais viva, mais pulsante. Aliás, taí uma boa definição para este tipo de conversa: pulsações.
Certa altura, falamos sobre como seria se tivéssemos nascido na década de 70, antes de o movimento hippie ser engolido pelo sistema. Falamos de como a vida deveria ser mais real quando da dácada de 50. Como os litros de leite vinham em garrafas de vidro, como as pessoas conversavam sentadas nas soleiras de suas portas em tarde de verão, como se ajudava um vizinho em apuros, como não se fugia de um parente desempregado - muito, mas muito pelo contrário. Falamos, falamos, e no final, sentimos saudades daquela época (que não vivemos), quando não se exigia de todos uma felicidade de plástico, uma vida de comercial de margarina. Sentimentos saudades do tempo em que o mundo não se massacrava o perdedor, o estranho, o imperfeito.
Sentimos saudades de um tempo de nunca vivemos, e nunca viveremos.