Caindo pra cima


21/02/2006


Lullaby

Vamos falar mais baixo
Pra não morrer a poesia
Vamos escolher as palavras
Pra não perder a magia
Ouvir a voz de dentro da gente
E guardar para quem sabe um dia
O que sei eu das coisas?
Sei lá o que sei eu das coisas!
Se eu adoecesse,
pensaria nisso.
O que eu sei verdade
É que é preciso saber-se coração
Pra fazer da noite dia
 
(inspirado em Alberto Caieiro)

Escrito por mim às 10h26
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16/02/2006


DESPERDÍCIO EXTRA

Encerrada anteontem, a convocação extraordinária do Congresso Nacional bem poderia ser qualificada como um desperdício extraordinário. O contribuinte desembolsou quase R$ 100 milhões, em dois meses, apenas para que os parlamentares mantivessem seu hábito de trabalhar pouco e, nas votações, passar ao largo de temas relevantes.
O único destaque positivo do período foi a aprovação do projeto que reduz de 90 para 55 dias o recesso parlamentar e elimina o salário adicional em convocações extraordinárias. A medida foi sem dúvida um avanço louvável e necessário para a moralização do Legislativo, mas não basta para justificar a convocação.
Afora isso, quase nada se fez. Mesmo matérias urgentes, como o Orçamento da União para 2006, que deveria ter sido votado no ano passado, foram deixadas para depois do Carnaval. As CPIs tiveram um desempenho insatisfatório, com relatórios mornos e poucas conclusões importantes. A maior decepção ficou por conta dos processos de cassação de deputados federais. Embora os trabalhos do Conselho de Ética da Câmara tenham avançado, nenhum caso foi levado a plenário.
Além da habitual improdutividade, houve, de quebra, espetáculos de descaso e negligência. Na Câmara, as ausências de deputados nas sessões de sextas e segundas levaram o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), à esdrúxula conclusão de que deveria estabelecer uma cota mínima de presença a ser cumprida pelas bancadas dos partidos. Desenvolvendo a "idéia", Rebelo determinou que um décimo das bancadas compareceria, enquanto o restante permaneceria em casa, usufruindo de um fim de semana de quatro dias e recebendo salários extras. Mas nem o rodízio de Rebelo funcionou.
Com esse desempenho lamentável, os congressistas fazem pouco para recuperar a sua imagem e -mais grave- a de sua instituição perante a opinião pública. Que o eleitor tome nota do descaso e cobre a fatura no pleito de outubro, negando direito de retorno aos maus políticos.

Folha de S. Paulo - 16 de fevereiro

Mais palhaçadas da política brasileira, mais imagens de AbuGhraib, mais revolta no mundo, mais violência, mais crianças abandonadas à própria sorte.
Enquanto isso, a voz do Seu Jorge ilumina a minha manhã cinza.

Escrito por mim às 09h51
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07/02/2006


Minhas férias

Voltei. Mais de um mês longe desta telinha. Mas estou aqui e preciso voltar em grande estilo, certo? Não, não. Vou voltar eu mesma, a mesma menina de pé no chão de sempre. Sem estilo, só eu mesma querendo me encontrar.
Vou falar uma coisa para vc, e espero que vc esteja ouvindo uma música tão linda quanto "É isso aí", versão da Ana Carolina para uma música americana que eu não conheço: uma das coisas mais interessantes de ter estado longe do meu blog foi desligar mesmo, dar um tempo. Janeiro foi mês de muitos sequestros em SP, muita violência, muito absurdo. Para quem viu TV, não para mim. Para mim foi mês de alegria, de ver céu cheio de estrela, de descobrir tons de azul na asa da borboleta, de brincar de ser criança, de ouvir música boa, de nutrir saudade, de cuidar da cabeça e do corpo. Foi mês de respirar o mar, de voltar a andar de pé no chão o dia inteiro, de falar dos sentimentos...
Então, acho que começo bem este meu ano de blog. Começo falando de minhas férias, igualzinho aquelas redações que a professora mandava a gente fazer quando voltávamos de férias. "Minhas férias..."
"Minhas férias"... foram lindas e interessantes. Apaixonantes. Foram tempos de fazer carinho, de ouvir uma palavra nova da filha com quem só passo alguns pares de horas durante o ano, de ler sobre a importância de acolher um filhote de cão sem dono. De correr, de rir, de jogar. De pegar onda...que delícia. Que saudade de deslizar naquele marzão de Deus...
A Lua, minha companheira de signo e viagem, banhou muito as minhas férias. E me fez ter vontade de pisar mais ainda nesse chão que um dia vai me comer. Voltei de pézão preto, encardido mesmo. Já o sol...ah irmão Sol, você arrasou minhas férias. Fiquei nega do bafo, coisa que nunca aconteceu comigo. Nunca em meus singelos 27 anos senti um sol tão radioativo, e ele realmente estava. Tadinho do sol, pensei, no primeiro momento, mas depois vi que estava sentindo dó do astro errado, porque o certo era dizer "oh Terra coitadinha, tamos arrasando sua capinha de proteção". Estão tirando o Sundonw da Terra, é verdade, só que em vez dela virar um pimentão como a gente vira, ela fica é furiosa mesmo, puta da vida. A gente quando toma sol sem proteção fica de cama. A terra quando esquenta demais faz que nem panela de pressão, manda um monte de revolta no mar, no ar, nas tempestades, nas florestas que se incendeiam do nada, do ar seco que de repente acende a bituca de cigarro.
Mudando de assunto, mas ainda não totalmente: o pé já tá limpo. Limpo de trabalho, de ar condicionado gélido, de pessoas frias, de falta de ver estrela.
Saudade

Escrito por mim às 09h21
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos