Caindo pra cima


28/03/2006


A criança volta às telas

Há 25 anos o filme Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, inaugurava uma tendência no cinema brasileiro: a abordagem de dramas sociais envolvendo crianças e adolescentes.

O filme marcou história ao mostrar a trajetória de um menino em situação de abandono, sobrevivendo à margem da sociedade e vulnerável a todo tipo de violência e humilhação. O contexto em que se situa o filme, a crise brasileira do início dos anos 80, parece não ter mudado muito de lá para cá. O surgimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, e todos os esforços da sociedade civil organizada para sua implementação ainda não foram capazes de eliminar a abominável existência de crianças e adolescentes em situação de rua e vítimas de todo tipo de violação de direitos.

Mas se os Pixotes continuam nascendo e crescendo neste país, há cineastas gritando alto para tentar devolver a estes meninos e meninas algo que lhes é negado: o direito de ter voz e ser ouvido. Logo nos primeiros anos da nova retomada do cinema brasileiro, na década de 90, o filme "Central do Brasil", do diretor Walter Salles, reinaugurou a produção de dramas envolvendo a realidade crua da criança brasileira pobre. O drama do pequeno Josué, personagem principal do filme, que perde sua mãe em um acidente e se "perde" na imensidão e nos perigos da Central do Brasil, poderia ser a história de qualquer migrante ´engolido´ pela cidade grande.

Foi a partir do filme Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, no entanto, que o cinema de crítica social ganhou projeção ainda maior. O filme apresentou um dos lugares mais violentos do mundo, a favela carioca de Cidade de Deus, palco da história de um jovem pobre e negro que consegue escapar do mundo do crime tornando-se fotógrafo. Recebeu 4 indicações ao Oscar naquele ano.

De lá pra cá, a produção de filmes e documentários sobre o lado da infância brasileira que ninguém vê - ou quer ver - aumentou significativamente. Entre os filmes recentes mais importantes, destacam-se o "Pixote in Memoriam", "Falcões - Meninos do Tráfico", recentemente exibido pela Rede Globo, e "Meninas", "Querô" e "Crianças Invisíveis".

Confira:

Pixote In Memoriam
O documentário de Felipe Briso e Gilberto Topczewski toca no mesmo tema abordado por José Joffily, em 1996, com "Quem Matou Pixote?": a reconstituição da vida do protagonista do filme de 1981, Fernando Ramos da Silva, assassinado em 1987. In Memoriam mostra os bastidores da filmagem do longa-metragem, com depoimentos e cenas inéditas de Hector Babenco, Marília Pêra, e do próprio "Pixote". Será exibido em sessão única no festival É Tudo Verdade, esta quarta-feira (29 de março), em São Paulo, no Cinesesc – r. Augusta, 2.075.

Crianças invisíveis
O filme reúne sete episódios dirigidos por alguns dos maiores diretores de cinema da atualidade, entre eles, John Woo, Ridley Scott, Spike Lee, Emir Kusturica e Kátia Lund.
Contando a história de crianças em sete diferentes países, o longa-metragem tem como objetivo chamar a atenção de governos, da sociedade civil e de cada cidadão para os milhões de crianças, em todos os continentes, excluídas e invisíveis: crianças que trabalham; crianças afetadas pelo HIV/aids; crianças que vivem sem suas famílias; crianças discriminadas por fatores raciais e étnicos; os meninos-soldados na África.

A estréia no Brasil é nesta sexta-feira, dia 31 de março. O episódio brasileiro do longa-metragem, dirigido por Kátia Lund e produzido pela Gullane Filmes, mostra o cotidiano de Bilu e João, uma menina e um menino que coletam materiais nos lixos de São Paulo.

Meninas
O novo filme da cineasta Sandra Werneck, "As Meninas" participa neste fim de semana da mostra competitiva de documentários do Festival Internacional de Guadalajara. O filme narra a história de quatro garotas - a mais velha com 15 anos - que engravidaram na adolescência e a transformação nas suas vidas. O filme abre também o Festival É Tudo Verdade no Rio nesta sexta-feira.

Querô
Baseado no livro Querô, Uma Reportagem Maldita, publicado em 1976 por Plínio Marcos
, o filme conta a história de um garoto pobre, filho de uma prostituta e de como ele desandou por uma infeliz e dolorosa jornada pelo submundo do crime e da violência. Gravado em maio e junho de 2005 pelo cineasta Carlos Cortez, o filme teve em seu elenco crianças moradoras de favelas e cortiços da zona portuária de Santos. O lançamento de "Querô" está previsto para o segundo semestre de 2006.

Escrito por mim às 18h15
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21/03/2006


Matrix

Leia o texto abaixo e responda: quantas vezes você já viveu uma situação parecida com essa e, depois de saborear sua refeição, voltou à vida de gado de sempre?

Enquanto isso, na França...

 

Mundo Virtual

"Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias que há tempos não sei o que são.

Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime né?

Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.

- Tio, dá um trocado?

- Não tenho, menino.

- Só uma moedinha para comprar um pão.

- Esta bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada esta lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas.

Ah! Essa musica me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.

- Tio, pede para colocar margarina e queijo também. Percebo que o menino tinha ficado ali.

- Ok. Vou pedir, mas depois me deixe trabalhar, estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir embora.

Meus resquícios de consciência, me impedem de dizer. Digo que esta tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.

Então ele sentou á minha frente e perguntou:

- Tio o que esta fazendo?

- Estou lendo uns e-mails.

- O que são e-mails?

- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionários desse):

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.

- Tio você tem Internet?

- Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.

- O que é Internet ?

- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar aprender. Tem de tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.

- Legal isso. Gostei!

- Mocinho, você entendeu que é virtual?

- Sim, também vivo neste mundo virtual.

- Você tem computador?

- Não, mas meu mundo também é desse jeito...Virtual. minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome e eu do água para ele pensar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida,muitos brinquedos, de natal e eu indo ao colégio para virar médico um dia.

- Isso é virtual não é tio???

Fechei meu notebook, não antes que a lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o prato dele, peguei a conta, e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado tio você é legal!".

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!"

Escrito por mim às 11h09
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20/03/2006


Pensamento do dia

Dei para escrever contos de fadas. E para perdê-los!

Escrito por mim às 19h03
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Nunca esqueça de onde vens

Incrível a capacidade dos filhos de dizer eu te amo de estranhas maneiras.

Dia desses, eu e Marina sozinhas no quarto, semi-peladas e prontas para pôr os pijamas e Marina diz que quer ter uma barriga mais "lisinha", porque achava que sua ainda pancinha de neném estava muito "gorda". Eu tento ignorar meus dois segundos de encanações com uma futura-quem-sabe-possível filha anoréxica e solto: "Mas, Nina, você é linda extamente porque é assim, do seu jeitinho, com suas "carninhas". Menina que quer ficar muito magricela, além de ficar feia, fica doente. Você não quer ficar igual a mamãe?". *parênteses: já se foi o tempo das calças tamanho 38*

E ela, depois de alguns segundos de reflexão: "Acho que eu quero ser igual a você, mamãe...assim eu nunca vou te esquecer, né?"

Não é linda? :-)

 

Escrito por mim às 19h02
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07/03/2006


Deus também janta

Cena:
10h da noite, meu quarto: Nina, enfim, se rende à batalha diária para não dormir.
"Mãe, deixa EU rezar pro papai do céu hoje? Papai do Céu, protege eu, minha mãe, meu pai, a vovó, o vovô, os tios, os amiguinhos, os bichos, a natureza....Amém, bom apetite!"
Um minuto de silêncio depois...
"Pode ir jantar, Papai do Céu, já ficou comigo o dia todo!"

Escrito por mim às 09h35
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03/03/2006


Cantando na lua crescente

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se ascender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se ascender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

(Pra rua me levar - Ana Carolina)

 



Escrito por mim às 18h55
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