De Marina, ao ser questionada sobre quem ela mais gostava no mundo (e eu esperando obviamente que a resposta fosse: "você, mamãe"):
"- Primeiro, eu gosto de MIM. Depois, da mamãe e do papai."
Sem comentários!
De Marina, ao ser questionada sobre quem ela mais gostava no mundo (e eu esperando obviamente que a resposta fosse: "você, mamãe"):
"- Primeiro, eu gosto de MIM. Depois, da mamãe e do papai."
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Você está em plena crise existencial. Crise conjugal. Dor nas costas. Um sono disgramento que não acaba nunca. Aquela espinha bem no meio da testa. Mas, em nome de assistir a um show de uma cantora que você curte muito sem dispender um ínfimo centavo do seu suado dim dim, você encara a transcedental experiência de ser pláteia da gravação de um DVD.
É assim: você adora a cantora, no caso, a Fernanda Porto. Você passa três dias ouvindo o CD só para não fazer feio no dia. Você arma o maior esquema para deixar sua filha pequena com alguém de confiança. E sai do trabalho suada, cansada, com fome, para pegar o Terminal Santo Amaro até a altura do Borba Gato e encontrar o marido. Tudo para chegar às 19h30 EM PONTO no Tom Brasil, como vocifera o email dos organizadores do evento. No meio do busão lotado, e com aquela multidão ´compartilhando´ seu suor, você recebe uma ligação do irmão que iria te encontrar direto lá: "Fê, meu carro quebrou, você pode me pegar na rua tal?"
Você pega o irmão e, mesmo assim, chega pontualmente às 19h30.
A partir daí segue-se o seguinte:
19h40: apesar do email em caixa alta dos organizadores, ninguém sabe quando as portas vão abrir. Então, todos para o bar! Na volta, as portas estão abertas, e o público que conseguiu chegar já está na frente do palco. Ops, gravação de DVD tem que ter público, mas cadê ele?
20h10: sentado no chão frio para esperar o início prometido do show (21h30), você começa a assistir a dois telões nas laterais do palco que exibem clipes de cantores nacionais da chamada "nova MPB": Chico César, Ana Carolina, Zélia Duncan, Lenine...enquanto isso, cadê o público? Aí você começa a imaginar a possibilidade de uma cantora tão alternativa assim simplesmente não ter um. E a gravação do DVD ser simplesmente cancelada.
20h30: mais clipes, público igual. E o sapato começa a incomodar.
21h30: tudo pronto para começar o show na hora marcada. Casa quase lotada (ufa), mas ainda não o suficiente. Mais clipes, agora de umas cantoras esquisitas com umas musiquinhas meia boca. A cada final de clipe, uma esperança: os holdings andando pra lá e pra cá anunciam que o show está para começar...
22h: alarme falso: novos clipes, sapato apertando cada vez mais, dor de cabeça, dor nas costas, holdings andando de um lado pro outo. E um pentelho gritando atrás: começa loooogo, eu cheguei aqui às 5 horas! O pior é que o cara era mesmo engraçado, do tipo "palhacinho" da turma.
22h30: público revoltado, gritando. E o pentelho: tô com sonoooo! Mais clipes.
Quase 23: começa o "show": entrada triunfal de FP, com um monte de percussionistas para acordar o povo. O público esquece do sono, da dor, do cansaço e começa a dançar e cantar o maracatu. Alguém pede: toca Sambassim!
Pouco depois das 23: várias músicas começam a ter que ser regravadas. FP pede desculpas e a ajuda de todos para cantar e dançar de novo (tudo pelo sucesso do DVD) Alguém grita: toca Sambassim!
23h40: alguém reclama que FP não está tocando suas mais conhecidas (as mesmas que você passou a semana ouvindo para não fazer feio). FP explica que o show serve para lançar as músicas novas. O público fica meio broxa, mas segue na filosofia do "de graça até injeção na testa". Alguém grita: toca Sambassim!
24h: Daniela Mercury canta com FP, mas a música tem que ser regravada. Nessa altura, você já está sentada lá no fundão, quase dormindo. O povo começa a debandar. Você simplesmente cata suas coisas e vai embora pensando: "pelo menos foi de graça"...
24h20: primeiros acordes de "Sambassim".
Moral da história: participar da gravação de um DVD é como sexo: até quando é ruim, é bom...e DI GRÁTIS!
Mudando de assunto: hoje vou no show-gravação do DVD da Fernanda Porto. Maravilhosa.
Vou de busão, é claro!
Milhares de pessoas tomam ônibus públicos todos os dias em São Paulo. Milhares. Se você é paulista isso não é nenhuma novidade, mas aqui a palavra milhares deve ser entendida de outro jeito:do lado de dentro, beem lá dentro, e bem pendurado naqueles ganchos de pano feitos para os passageiros menos avantajados verticalmente.
O lado de dentro dos busos guarda muitas surpresas, a maioria não agradáveis. Desta perspectiva socio-espacial, é possível não somente saber que você é um entre os "milhares" acima citados - e, ao constatar isso, se achar uma cabeça de gado portando um bilhete único -, como, principalmente, sentir os "milhares" roçando-se em você, bafando no seu cangote, e abrindo o sovacão bem na sua cara. E não adianta reclamar: uma hora ou outra, você vai fazer o mesmo com seus colegas de fardo.
Isso é mais do que um desabafo de uma paulistana indignada: é um fato. Ou, um flato, dependendo da hora do dia em que se pega o ônibus. Sim: há seres que soltam pum do seu lado em plenas 18h30, dentro do Terminal Santo Amaro, em dia de chuva. Estes merecem aquelas palmas do comercial do Diet Coke.
Mas se você acha um pum na multidão um verdadeiro show de horrores, saiba que não pára por aí. Há muitas outras agruras escatológicas e psicológicas a serem superadas. Além do fato de que o inferno são sempre os outros, a boa notícia é que há como driblar esses infortúnios. Algo que só alguém que já passou boa parte da vida vendo a cidade por aqueles vidros embaçados pode ensinar. Certos macetes, pode-se dizer. Veja alguns:
Macete 1:
Sabe aquela clareira que há entre as pessoas amontoadas? Aquele estranho lugarzinho vazio no meio da multidão e que te faz cruzar o buso inteirinho a base de cotoveladas: trata-se SEMPRE de uma bela poça de vômito. Eu já cai várias vezes nesse conto do vigário e, no final, tive que encarar os restos do almoço de outrem. Portanto, evite as clareiras.
Macete 2:
Em dias de chuva, evite ficar no meio do comboio. Posicione-se próximo às portas ou do lado do motorista, se quiser sorver algum ar. Porque o povo não vai abrir as janelas, por mais que você tenha um ataque de claustrofobia. Preferem pegar tuberculose do que receber uns pingos de chuva na cara. Se eles soubesse como é bom...
Macete 3:
Se você é mulher, atenção: nunca entre num ônibus, em São Paulo, com uma saia menor que a altura do seu joelho. O preço de parecer testemunha de jeová é bem menor do que o custo de ouvir manifestações de admiração de baixo nível. Quando não, um membro masculino em estado de alerta passando "despercebidamente" atrás de você. Haja estômago!
Macete 4:
Por mais que você reze para não acontecer, pode ter certeza que um dia vai acontecer: alguém passar mal do seu lado. Bem mal. Tipo ataque epilético ou cardíaco. A dica é tentar manter a calma, não pensar no seu salário e nem no Lula. E, é claro, ajudar a pessoa, como reza a cartilha do bom samaritano. Lembre-se: um dia pode ser você botando os bofes pra fora e inaugurando novas clareiras.
Estas são algumas dicas. Tem muito mais, mas ficam para os próximos capítulos. Boa sorte para você que, como eu, é "usuário".
Existem 13 Fernandas Favaros no Orkut!
Esta semana eu recebi mais uma mensagem de mais uma Fernanda Favaro no mundo. Claro que ela me achou no orkut e, espantada com a quantidade de Favaros na rede, me escreveu dizendo que achava que poderia ter mais parentes que imaginava ter.
Mais uma vez levei meu habitual choque com o surrealismo da vida e respondi a ela que, para mim, mais do que descobrir muito mais Favaros no Brasil do que poderia supor, coisa que notei já há algum tempo, foi confirmar algo que me assombrava em meus mais bizarros sonhos: a existência de outras oito ou nove Fernandas Favaros que, assim como eu, renderam-se ao Orkut e dispuseram seus perfis na matrix.
O mais estranho da história foi a coincidência de descobrir isso pouquíssimo tempo depois de ler "O homem duplicado", do Saramago. Para quem não sabe: é a história de um homem que descobre ter um "duplo" idêntico a ele em tudo: nome, aparência, personalidade. O conflito se dá no momento em que as histórias se cruzam, e as vidas que antes eram "únicas" mesclam-se de forma trágica.
Não sei se a minha história e das outras Fernandas Favaros irão um dia se mesclar, como nossos nomes já enganam muita gente por aí. Dá arrepio só de pensar na possibilidade. Imagino por exemplo se uma das minhas "irmãs" de nome for parar na cadeia por causa das atitudes de outra. Não, não, chega, isso é muita paranóia.
Prefiro ficar com a estranha sensação de não pertencer mais a mim mesma e, ao mesmo tempo, pertencer a algo maior do que eu. Agora só há uma saída: criar uma comunidade no Orkut!
Caminante no hay camino
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.
Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse...
Nunca perseguí la gloria.
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...
Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
"Caminante no hay camino,
se hace camino al andar..."
Golpe a golpe, verso a verso.
Antonio Machado


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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos