Caindo pra cima


29/06/2006


Que país é esse?

Seleção-belíssima-mensalão. Seleção-belíssima-mensalão. Vamos mudar de assunto, Brasil?
 
Que tal falarmos das nossas 372 rotas usadas para traficar seres humanos, principalmente mulheres jovens, para fora do país? Que tal olharmos um pouco que seja para o deputado Veloso, canalha acusado do estupro e exploração sexual de crianças, que adotou como slogan da campanha: "tarado por Goiás"? Que tal gritarmos contra a podre legislação brasileira, que entende que o casamento "lava a honra" da mulher que foi violentada?   
 
É, gente, ainda vivemos e ainda viveremos nesse país, em cujos rincões os homens não usam camisinha porque isso "fere sua honra de macho". Ainda viveremos e morreremos nesse país, em cujos cafundós ter um filho significa mudar para o "status" de "mãe", que é a única coisa que sobra para a adolescente miserável. Aí, nascem perdidas as crianças, nascem adolescentes as mães, nascem sozinhas as mães, nascem sem jamais ver seus filhos os homens. Nasce o abandono, nasce a pobreza, nasce a morte do sonho. Nasce, sobretudo, mais uma leva de gente preconceituosa que coloca na mãe a culpa pela sequência de filhos impossíveis. Como se conceber um bebê fosse tarefa feita a um.
 
E já que o assunto é estupro, físico, de valores e de sonhos, é impossível não ser estuprada por esta música muitas e muitas vezes quando se é brasileiro:
 
Nas favelas, nos serrados,
Sujeira pra todo lado.
Ninguém respeita a Constituição,
Mas todos acreditam no futuro da Nação.
Que país é esse?
Que país é esse?

Escrito por mim às 14h08
[ ] [ envie esta mensagem ]

Obrigada!

Talvez seja uma mania. Quem sabe, um condicionamento trazido pelos livros de Masaharu Taniguchi. Ou só eu mesma com meus estreantes 28 anos.
 
Mas o fato é que não quero escrever sobre o sentido profundo de se fazer aniversário. Quero apenas dizer "obrigada" 500 vezes.  
 
Então...
 
Obrigada, amigos muito especiais, pelos emails que me acenderam logo cedo.
 
Obrigada, Amanda e Sô, por encontrarem tempo para a delicadeza, em meio às nossas hecatombes particulares.
 
Obrigada, colegas do trampo, pelas palavras, pelos abraços, pelo café-da-manhã, pelo presente.
 
Obrigada, amigos orkuteiros, pelos recadinhos fofos.
 
Obrigada, Di, Pati e Mine, por saírem da Z/L só para me ver.
 
Obrigada, Lu, pelo DVD do Monty Phyton. Já estou me coçando para rever os cassetas das "orópa".
 
Obrigada, Tati, pelo ofurô. De novo você me surpreende, né?
 
Obrigada, Cy, pela pizza-surpresa.
 
Obrigada, Alex, pela pizza-surpresa e, principalmente, pelo carinho.
 
Obrigada, Lari, Bene, So, Cadu, Bia, Ezio, Thomas, Denis e Ana, pai e mãe e os outros lá em cima, por fazerem existir a pizza-surpresa e o carinho coletivo.
 
Obrigada Nina, por existir.
 
Pronto! Já tô mais véia! Agora chega de rasgar seda e vamos trabalhar!

Escrito por mim às 11h55
[ ] [ envie esta mensagem ]

27/06/2006


Cantando Vinícius

Samba da benção

(Vinícius de Moraes)

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza

É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não

Senão é como amar uma mulher só linda; e daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
Quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança                                                                                                                                                                                          

A tristeza tem sempre uma esperança 
De um dia não ser mais triste não...

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Escrito por mim às 09h58
[ ] [ envie esta mensagem ]

22/06/2006


Solstício de inverno ou a hora de Câncer

"Agora eu me sinto como um dia antes das férias, final de tarde, saindo do trabalho.
 
Leve.
 
Como a música italiana que ouvi, em meio a tantos reveses e idiossincrasias.
 
Tive um sonho estranho noite passada. Não queria acordar. Você me puxa, me arrasta. Delírio total. Ou seria eu?
 
É pesado viver. Dizer o que se pensa. Aguentar arrependimentos. Não ouvir arrependimentos.
 
Se eu tivesse um blog, escreveria isso nele.
 
Hoje é Yule. Parabéns."
 
 
Juliana Winkel Marques dos Santos é, antes de mais nada, uma forte. Primeiro, por me aguentar há tantos e tantos anos nessa caminhada "rumo ao terceiro milênio, para um mundo melhor". Segundo, porque capricorniana inteira, como eu "meio" sou. Terceiro, porque jornalista, raça que sofre pelo mundo. Quarto, porque mulher. Por isso, Ju, quem te rende parabéns sou eu. Obrigada por ser quem és, amiga. E fique traquila para postar quantas outras loucuras quiser: a casa é sua! 

Escrito por mim às 09h35
[ ] [ envie esta mensagem ]

14/06/2006


Ressucita-me*

A frase ainda ecoa em meus ouvidos: "Para ser feliz, a mulher nunca deve dar a certeza de seu amor ao homem". Sempre desconfiei de frases feitas. E sempre as usei, porque isso sou eu: uma contradição.
 
Sou contradição suficiente para acreditar que existe algo entre o branco e o preto, o comunismo e o capitalismo, o amor e o sexo, o coração e a mente, o "ser você mesmo" e o "vestir a pele do outro". Entre o "faça isso e não aquilo". Sempre achei que existe algo além, um terceiro caminho - novo ou produto da simbiose das dicotomias. Sempre acreditei num Deus (ou Deusa?), que para mim mora exatamente nesse equilíbrio tênue da vida.
 
Por isso nunca segui a frase acima, dita por minha avó, por minha mãe, por minhas amigas, por muitas e muitas mulheres no mundo todo. As mesmas mulheres que, na hora H, quando o coração bate forte, esquecem o que ensinam. "Faça o que eu digo e não o que eu faço" - taí uma frase feita que vale a pena reproduzir. Nunca me furtei de dizer eu te amo, se, afinal, era isso o que sentia. Nunca me furtei de correr contra a corrente, contra mim mesma às vezes e contra as minhas mais profundas convicções, se esse era o preço a ser pago para ver um sorriso de quem eu amava brotando na minha frente. Se esse era o preço a ser pago para ver brotar vida de olhos que faziam minha vida valer a pena.
 
Para mim Deus (ou Deusa?), essa força, esse equilíbrio, enfim, esse cara que teimam também em chamar de Amor, era isso: doar sem pedir nada em troca. O problema é que descobri que sou humana. Descobri que vou morrer e não vai demorar muito - no máximo dentro de 30 ou 40 anos. Então, também quero ser amada. Também quero ser adorada. Também quero ser adotada. Também quero que alguém doe de si para mim. Não quero morrer sem sentir que, por um momento, minha vã existência fez de alguém um canal de Deus (ou Deusa?).
 
Na minha condição atual de estar do outro lado da dicotomia, o "ser você mesma", sei que ainda não encontrei o equilíbrio. Ou que, talvez, ele nunca exista. Talvez isso tudo que eu escrevi seja produto de todos os livros, histórias, causos e contos que leio, ouço, crio. Ou talvez realmente seja possível alcançar a harmonia. Ah, que saco que é pensar demais!
 
Termino com mais uma frase feita, e das boas: SÓ O TEMPO DIRÁ!
 
* neste momento, só Gal Costa e suas belas letras de música para me salvar da minha completa incompetência para bons títulos!

Escrito por mim às 18h05
[ ] [ envie esta mensagem ]

12/06/2006


Dica do dia

Hoje, Dia dos Namorados, dê FLORES a quem você ama.

Escrito por mim às 10h50
[ ] [ envie esta mensagem ]

Findi

Os 5 fatos que fizeram do fim de semana uma surpresa.
 
1) Trinidad e Tobago ganhou da Suécia (the loosers will be winners!)
2) O peixinho que a Marina pescou na festa junina da Iasmine deu à luz a oito filhotes! (e eu achando que a bichinha era macho, e que iria morrer no dia seguinte)
3) A ópera Andréa Chénier, em cartaz no Teatro Municipal até ontem, é de encher os olhos. Maravilhosa! (e eu achando que iria bocejar durante os quatro atos)
4) O filme "Antes que anoiteça", drama sobre a breve vida de um escritor cubano, gay e preso político, surpreendeu. (e eu achando que era mais um daqueles filmes "cabeça com um final meio non sense")
5) Meu bife ficou macio! (e eu achando que era proibido colocar o sal para derreter junto com a manteiga)

Escrito por mim às 10h47
[ ] [ envie esta mensagem ]

09/06/2006


Ah, tá....

"Homens fazem sexo"

"Mulheres fazem amor"

E o mundo é preto e branco.

Escrito por mim às 11h31
[ ] [ envie esta mensagem ]

05/06/2006


Giz

O jornal de hoje traz duas matérias que, de formas diferentes, me fizeram voltar num tempo não muito distante da minha vidinha. Falam do bullying, nome estrangeiro para a velha e boa "alopração" que os adolescentes aplicam contra qualquer outro menino ou menina que não se encaixe no modelo de perfeição que o mundo propaga: bonito (a), magro (a), extrovertido (a), branco (a), "na moda", rico (a), e popular....
 
Na minha época de adolescente*, quando isso ainda se chamava "zoeira", fui vítima durante anos. De desenhos na lousa a bilhetinhos debaixo da mesa, passando pela pior rejeição para uma menina - a exclusão velada do grupo de garotas mais populares -passei anos e anos acreditando que ser um sub-ser humano.
 
Aos doze anos, eu era "a esquisita". Enquanto os outros colegas da classe tinham uma certa vida social agitada em comparação às suas condições de frangos, eu passava dias e dias lendo Seimei no Jisso, série de livros de Masaharu Taniguchi (!!!), mentor da Seicho-no-Ie, numa espécie de claustro voluntário na casa da minha avó. Enquanto eles fumavam e alguns se drogavam, eu passava os finais de semana com meus pais, lendo clássicos da literatura, como "Moby Dick", "Werther" e "Anna Karenina" (!!!). E, para completar: enquanto minhas amigas se matavam pelo "New Kids on the Block" e viajavam juntas, eu ouvia Louis Armstrong e Mozart (!!!) sozinha no meu quarto. 
 
Eu tinha dois melhores amigos. Meu melhor amigo era gay, nerd e tão estranho quanto eu. Trocávamos poesias e ele me contava os sonhos eróticos que tinha com outros meninos. Minha melhor amiga era gordinha, carente e tão esquista quanto eu. Sonhávamos com o príncipe encantado, andávamos de preto, e planejávamos fugir de casa aos 18 anos. Não deu certo, é claro. Mas os dois são, até hoje, meus melhores amigos.
 
Não vou negar que aquela foi uma época de um certo sofrimento. Não acho legal, sinceramente, que uma criança de 12 anos passe os dias fugindo de si mesma em mundos paralelos, tentando ser mais "adulta" que o resto para provar que pode ser superior. Aquilo não poderia ser saudável para uma menina da minha idade, e ainda bem que minha fase de curtição e descoberta do mundo real veio pouco tempo depois. No entanto, só hoje vejo como aquelas semanas que passei na Moóca, devorando livros enquanto meus avôs me paparicavam, foram importantes para mim ainda hoje. Especialmente quando tento me convencer de que sou jornalista (rs).
 
Enfim, se sou o que sou hoje, essa "esquisita que funciona" (às vezes), tenho certeza que a culpa é daquela caricatura que um engraçadinho f-d-p desenhou a giz, há mais ou menos 15 anos, direto do túnel do tempo.
 
Frase do dia: Repita cem vezes: Jisso Eman Kan Zen...
 
* época não muito distante, que fique claro!  

Escrito por mim às 11h30
[ ] [ envie esta mensagem ]

01/06/2006


Cinco vidas

Marina menina
Sua mão na minha
Cinco dedos abertos
Mão de filha pequena
 
Marina de cinco vidas
Se eu pudesse eu te daria
Mais cinco linhas da vida
 
Marina filha
Que chegou no meio da década
Nem metade de mim faria
Mais mil meninas queridas

Escrito por mim às 10h01
[ ] [ envie esta mensagem ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos