Caindo pra cima


31/07/2006


SuperNina ou Y soy rebelde

Ela tem 5 anos. Ainda põe o dedo na boca. Lambe o vidro do carro. Pede para eu limpar seu bumbum depois do “número 2”. Acredita que eu sou uma fada de verdade e o pai dela, um fado. Tem medo que o lobo apareça na frestinha da porta. Não dorme se não estivermos deitadas juntas, embaixo da coberta, agarradinhas.

 

Sim, ela ainda é apenas uma doce e indefesa criança pequena. Mas já sabe aproveitar os raros segundos de distração materna para conseguir satisfazer seus desejos mais obscuros. E também os mais escuros. Como um pão de mel.

 

 “Tia, dá um pão de mel aí?”

 

Esta foi a frase que ouvi ontem, no Amor aos Pedaços, da boca da minha filha. Ignorando a recusa do pai, que desconfiava que o destino do doce seria levar duas mordidas e acabar na minha bolsa, Marina virou as costas e, do alto de seu 1 metro e alguma coisa, encarou um balcão pelo menos duas vezes maior que ela e pediu seu pão de mel numa boa. Ela, a frágil criança pequena. Ela, a menininha desprotegida.

 

E agora? Fico feliz porque minha filha herdou meu restinho de sangue índio? Ou chamo a SuperNanny?

 

Melhor ficar com a primeira opção. Depois que assistiu SuperNanny – aquela babá que para algumas crianças já virou sinônimo de bruxa – Marina virou pra mim e disse:

 

“Ela é legal, né, mãe? Chama ela aqui em casa?”

 

Moral da história:

O mundo é das crianças. Principalmente se o mundo disser: “não pode”.

Escrito por mim às 17h40
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28/07/2006


Confessions on a dance floor

 
Bem que eu queria ser mais alta. Bem que eu queria gostar de usar tailleur e sapato alto. Bem que eu queria ter olhos claros. Bem que eu queria ter cabelos de comercial de xampú. Bem que eu queria ser fodona. Bem que eu queria ter um corpo perfeito. Bem que eu queria ser famosa. Bem que eu queria ser sempre feliz.
 
Mas eu não sou nada disso, então...
 
FODA-SE!

Escrito por mim às 14h10
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26/07/2006


Loser: grandes momentos

Sábado passado, no bar, discutíamos o que é ser loser. Para muitos uma ofensa braba, essa palavrinha inglesa que significa "perdedor", para mim, é um estilo de vida. O modo de vida daqueles que não fazem a menor questão de ser um modelo de pessoa, um ser humano brilhante, um exemplo a ser seguido. Daqueles que não têm grandes ambições. Ou que são só meio azarados. Ou que simplesmente se sentem sempre a pessoa errada no momento errado. E por aí vai...
 
Claro que nem todo mundo é o tempo todo 100% loser ou 100% o seu contrário - winner (vencedor). Há momentos loser e momentos winner na vida de qualquer sujeito. Oscilamos entre ambos, e suas mais variadas matizes. Mas é fato que algumas pessoas têm maior propensão aos momentos loser, o que as torna meio que identificadas permanentemente com este jeito de viver.
 
Também é importante lembrar que as definições de loser e winner variam conforme a sociedade, a cultura e o indivíduo. Se você for pra rua e perguntar para uma pessoa qualquer o que ela acha que é ser um perdedor, virão as mais variadas respostas. Por exemplo, se você perguntar pra mim, vou responder que, um homem ou mulher de negócios que trata sua família como se fosse sua empresa é um completo babaca-loser. Mas, para uns e outros por aí, ah.... pode ter certeza que esse empresário será visto como o maior modelão de gente. Com direito a aplausos de Roberto Justus.
 
Mas vamos o que interessa. Selecionei alguns grandes momentos loser da minha vida. Na verdade, grandes micos que paguei devido ao meu pé frio típico de paulistana suburbana. E, é com muita, mas muuuita coragem, que apresento-lhes a pequena lista:
 
Fazer fisioterapia para arrumar o cócxis, aquele ossinho no final da coluna vertebral, e voltar para casa num ônibus solavanquento.
 
Vomitar no metrô lotado e abrir uma clareira na multidão.
 
Ir pra praia depois de dois anos sem ver a cor do sol e pegar insolação pela bunda.
 
Esquecer o nome de um amigo distante durante uma conversa e, na hora de tentar arriscar, errar o nome por apenas uma letrinha.
 
Passar dois anos usando aparelho para corrigir os dentes e jogar todo investimento no lixo por esquecer de arrancar os dentes do siso anos depois.
 
Ir para a maternidade às pressas e, por consequência, de perna peluda.
 
Ter que ser registrada na empresa do pai para receber auxílio-maternidade porque a agência onde trabalhava, sem carteira assinada, "não podia fazer nada por mim".
 
Ter a sorte de esmagar uma barata com a mão porque não viu que a bichinha estava justamente no ponto exato do corrimão onde a mão aterrissou. (caraca! lembro como se fosse hoje a sensação)
 
Ir para Porto Seguro, comer churrasco toda noite para evitar passar mal com peixe, e terminar a viagem com soro na veia por causa de intoxicação... com carne. (ahaha! essa é a pior!)
 
Dormir no metrô e acordar sem um real na bolsa. Dormir no metrô e passar da sua estação. Dormir no metrô e babar. Dormir no metrô de bocona aberta. Dormir em pé no metrô. (êta, fase!)
 
Ser assaltada por um pirralho de uns 7 anos com uma faquinha de cozinha ridícula na mão. (sem comentários)
 
Vender o ticket-refeição e almoçar marmita para guardar o dinheiro do sonhado carrinho e, na hora H, ter que emprestar para a família em apuros financeiros. (de boa...quem já não fez isso?)
 
Ter que ir para eventos chiques de sapato alto e, por não estar acostumada, passar o resto da semana indo ao trabalho de tênis por causa das bolhas no pé.
 
Ser demitida. (por enquanto isso só aconteceu no meu primeiro estágio, numa rádio, em 1996)
 
E você, já teve algum momento loser que mereça sua lembrança bem-humorada?

Escrito por mim às 13h16
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24/07/2006


Continuando...

Terceira notícia, na verdade notícias. As condenações de Suzane Von Richtofen e os irmãos Cravinhos. Pegaram 39 anos. Na prática sabemos que daqui uns anos a justiça alivia o lado deles. No outro extremo, Champinha, o estuprador e assassino dos adolescentes Liana Friedenbach e Felipe Caffé, escapa do julgamento por que na época do crime era menor de idade. E a classe média grita novamente por mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente.
 
Confesso que, mesmo trabalhando numa ONG que levanta justamente a bandeira do ECA, fico em crise toda vez que lembro que a menina foi estuprada coletivamente no mínimo umas 8 vezes nos 5 dias de cativeiro, e esfaqueada mais de 13 vezes antes de morrer. Af....até parei um pouco depois de escrever a frase acima. É muito repugnante. Sou daquelas que não sabe se, se fosse agarrada por um tarado, preferiria ser morta antes do "ato". Mas quem fala aqui é meu coração, não minha cabeça. E se Siddartha Gaudamma (será que é assim que escreve?) estava certo, tá tudo na mente. Se Buda estivesse vivo, diria que meu apego ao meu ódio pelo uso indiscriminado da mulher como objeto sexual, é o caminho errado. Ele também diria que o ECA é o caminho certo, por mais surreal que esta lei possa parecer em nosso país. Não há dúvidas que o crime foi nojento, bárbaro, hediondo,, e que o assassino tenha que ser punido à altura, ainda mais agora que já não é "di menor". Mas uma exceção não pode ser usada para consolidar, na lei, a perda da fé do mundo na sua juventude, no seu ser humano. Digo exceção porque, ao contrário do que esbravejam alguns arautos da redução da maioridade penal, a grande maioria dos crimes cometidos por menores de idade são delitos de graus leves e moderados, como roubos e furtos.
 
Enfim, na minha opinião é exatamente a perda da crença no ser humano que leva o mundo a produzir seus Champinhas - nem sempre na forma de meninos miseráveis e barbarizados, que devolvem pra sociedade o que recebem dela. Há Champinhas mais bem asseados, cheirosos e penteados, e com quedas a outros tipos de estupro. Como, por exemplo, corroer o dinheiro público que seria usado para a compra de ambulâncias ou lanches escolares, entre outros bens de primeira necessidade para a população. 
 
Quarta notícia. Amigos! Sempre notícia. Amigos de carro novo. Amigos que vão à Europa pela primeira vez. Amigos que fazem aniversário. Amigos encontrando seus caminhos na vida. Amigos apaixonados. Amigos recuperando a dor de um pai perdido. Amigos dividindo sonhos, angústias, desejos. Amigos grávidos. Amigos que conseguiram superar um grande desafio. Amigos que presenteiam. Amigos. Só alegria nessa área. A inveja é grande, mas daquelas que a gente usa para ser tão forte, sonhador e guerreiro quanto esses meninos e meninas.
 
Bom, galera, por hoje é isso. E como diria William Bonner: Boa noite!

Escrito por mim às 17h39
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"São coisas minhas, caramba!"

De volta, de novo. Uma semana em Paraty, outra em Lençóis. Duas terras da pinga. Portanto não estranhem meus próximos escritos...hahaha!
 
A volta me trouxe algumas notícias, umas boas, outras más. Outras nem más nem boas - essas são as piores!
 
A primeira. De Paraty fico sabendo pela TV que a "velhinha psicopata", noiva de Hannibal Lecter, sobre a qual comentei em post de algumas semanas atrás, era só dona Violeta, uma pacata senhorinha espanhola que tinha como passa-tempo colecionar "coisas bonitas" que encontrava na rua e no lixo. Seu hobby rendeu nada mais que 250 toneladas de tranqueiras, devidamente entulhadas em todos os cômodos de seu pequeno sobrado, à Rua João Cachoeira. Ao ser indagada porque colecionava tanto lixo, dona Viô foi categórica: "São só coisas minhas, caramba!"
 
Ah! E o carro onde eu e minha amigas palpitávamos que havia um corpo de alguém assassinado, era na verdade a cama da velhinha. Isso mesmo. De tanto entulho na casa, foi o único lugar que sobrou para ela dormir, na companhia de ratos que, segundo os vizinhos, tinham o "tamanho de gatos". Ui!
 
Enfim, ela não era psico, pelo menos não daquelas que matam pessoas e guardam os pedaços na geladeira para ir comendo aos poucos. Era só mais uma personagem dessa cidade salpicada de realismo fantástico (é...Jorge Luis Borges faria a festa por aqui). Dona Violeta: todo mundo julgou a senhora, até eu, confesso, mas cá entre nós, quem não coleciona manias? Eu, por exemplo, tenho uma bem legal, que já comentei neste espaço: escrever e desenhar no box do banheiro, enquanto tomo banho. Claro que, perto da espanholinha, meu grau de insanidade beira -1, mas o princípio é o mesmo. O que me leva à pergunta: seria eu uma dona Violeta que ainda precisa comer mais "arroz cum feijão"? Bem, melhor não pensar nisso e partirmos para a próxima notícia, antes que eu comece a revirar esse baldinho aqui do lado.
 
Segunda notícia. PCC rides again. Esta "boa nova" eu fiquei sabendo quando estava pra ir embora de Paraty. Engraçado que desta vez não fiquei revoltada com o mundo, como nos primeiros ataques. Fiquei meio que atormentada, com a sensação de que perdemos mesmo a guerra contra a transformação de nossa cidade em uma Colômbia do Trópico de Capricórnio. Sabe aquele olhar perdido no horizonte, aquela cara de boba. Pois é...foi o máximo que consegui esboçar dessa vez.
 
Sobre este episódio, uma frase dita por um cobrador de ônibus, hoje de manhã, não sai da minha cabeça: "O jeito é a gente se armar". Como assim, cobrador, se armar? Imaginem a cena. Passageiro: "Ô, cobrador, tá faltando 25 centavos no meu troco". Cobrador: "Moedinha de 25 centavos tá em falta, mas balinha de 38 tem de monte...POU!" Estamos perdidos MESMO.
 
Continua...
 
 

Escrito por mim às 17h39
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08/07/2006


Férias

A minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei

Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu espero sempre mais de ti

Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim

Longe de mim
Longe de mim
Longe de mim

A minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei

Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu espero sempre mais de ti

Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim

Longe de mim
Longe de mim
Longe de mim

Escrito por mim às 19h36
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07/07/2006


Medo

O mundo não quer quem chora. Quem se entristece. Quem diz não. Quem usa tênis. Quem não tem medo de dizer ´eu te amo´. Quem fantasia. Quem acredita em magia. Quem distribui sorrisos sinceros. Quem beija e abraça. Quem está em crise. Que se perde. Quem perde. Quem se importa com o colega do lado. Quem repara que o sol brilha lá fora. Quem chora junto. Quem ri junto. Quem se assume humano, limitado, finito. Quem erra e diz: eu errei! Quem se desculpa, sinceramente. Quem agradece. Quem mergulha em si mesmo. Quem diz: não gostei da sua atitude. Quem pede ajuda. Quem sente muito. Quem dá bom dia pro porteiro. Quem começa suas frases com "por favor..." Quem sente culpa. Quem não tem medo do ridículo. Quem faz um elogio sincero a alguém, na frente de todo mundo.

Não, o mundo não quer isso.

O mundo quer ver você escravo. Da risada idiota. Da moda. Da novela. Do status. Do poder. Do dinheiro. Do ter. Do "parecer ser", mesmo sem ser. Do parecer ter, mesmo sem ter. Do carro do ano. Do modelo de sociedade. Da competição. Da vitória. Do modelo de felicidade. Da pose. Da empáfia. Do "faça você mesmo". Do "eu sou mais eu". Do orgulho. Da insensibilidade. Do conformismo. Da atitude-padrão. Da falsidade, também chamada de política. Da revista Você S/A. Das S/As. Do estilo "O aprendiz" de ser. Da mediocridade. Do raso. Da não-poesia. Do lado racional de tudo. Dos livros técnicos. Das explicações lógicas. Da hipocrisia, que hoje nos é servida também como desenvolvimento sustentável, atitude solidária, voluntariado corporativo, etc.

O mundo quer corações de pedra, revestidos de fina pelúcia. Medo.

Escrito por mim às 14h30
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06/07/2006


Ele, sempre ele...

Eu não tenho jeito mesmo...até na hora de participar de uma oficina de comunicação, eu falo de amor e paixão como pré-requisitos. Mas valeu a pena: no final, umas das "alunas" colou em mim e disse: "é mesmo, né, se sem amor a gente não faz nada direito nessa vida, porque para fazer comunicação seria diferente?"

À propósito 1: Amanda, É NÓIS NAS FRITA!

À propósito 2: que saudade!

Escrito por mim às 18h29
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Dor de estômago

Tô me sentindo tão triste hoje. Tão desanimada com tudo e culpada por um monte de outras coisas.

Também amanheci com a sensação de estar ficando mais burra a cada dia que passa. Faz seis anos que terminei a faculdade, e depois disso nunca mais estudei nada, só uns cursinhos esparsos pra lá e pra cá. No meu trabalho faço a mesma coisa há quatro anos, não aguento mais.

Comecei o inglês, parei, comecei de novo, parei de novo, e não falo uma frase sem antes ter que pensar nela.

Sem falar nos cabelos cor de prata......

"A minha vida, eu preciso mudar, todo dia."

Mais um desabafo nesse espaço.

 

Escrito por mim às 12h52
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05/07/2006


Tem coisas que só a poesia explica...

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

                        

Escrito por mim às 13h04
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos