Sábado passado, no bar, discutíamos o que é ser loser. Para muitos uma ofensa braba, essa palavrinha inglesa que significa "perdedor", para mim, é um estilo de vida. O modo de vida daqueles que não fazem a menor questão de ser um modelo de pessoa, um ser humano brilhante, um exemplo a ser seguido. Daqueles que não têm grandes ambições. Ou que são só meio azarados. Ou que simplesmente se sentem sempre a pessoa errada no momento errado. E por aí vai...
Claro que nem todo mundo é o tempo todo 100% loser ou 100% o seu contrário - winner (vencedor). Há momentos loser e momentos winner na vida de qualquer sujeito. Oscilamos entre ambos, e suas mais variadas matizes. Mas é fato que algumas pessoas têm maior propensão aos momentos loser, o que as torna meio que identificadas permanentemente com este jeito de viver.
Também é importante lembrar que as definições de loser e winner variam conforme a sociedade, a cultura e o indivíduo. Se você for pra rua e perguntar para uma pessoa qualquer o que ela acha que é ser um perdedor, virão as mais variadas respostas. Por exemplo, se você perguntar pra mim, vou responder que, um homem ou mulher de negócios que trata sua família como se fosse sua empresa é um completo babaca-loser. Mas, para uns e outros por aí, ah.... pode ter certeza que esse empresário será visto como o maior modelão de gente. Com direito a aplausos de Roberto Justus.
Mas vamos o que interessa. Selecionei alguns grandes momentos loser da minha vida. Na verdade, grandes micos que paguei devido ao meu pé frio típico de paulistana suburbana. E, é com muita, mas muuuita coragem, que apresento-lhes a pequena lista:
Fazer fisioterapia para arrumar o cócxis, aquele ossinho no final da coluna vertebral, e voltar para casa num ônibus solavanquento.
Vomitar no metrô lotado e abrir uma clareira na multidão.
Ir pra praia depois de dois anos sem ver a cor do sol e pegar insolação pela bunda.
Esquecer o nome de um amigo distante durante uma conversa e, na hora de tentar arriscar, errar o nome por apenas uma letrinha.
Passar dois anos usando aparelho para corrigir os dentes e jogar todo investimento no lixo por esquecer de arrancar os dentes do siso anos depois.
Ir para a maternidade às pressas e, por consequência, de perna peluda.
Ter que ser registrada na empresa do pai para receber auxílio-maternidade porque a agência onde trabalhava, sem carteira assinada, "não podia fazer nada por mim".
Ter a sorte de esmagar uma barata com a mão porque não viu que a bichinha estava justamente no ponto exato do corrimão onde a mão aterrissou. (caraca! lembro como se fosse hoje a sensação)
Ir para Porto Seguro, comer churrasco toda noite para evitar passar mal com peixe, e terminar a viagem com soro na veia por causa de intoxicação... com carne. (ahaha! essa é a pior!)
Dormir no metrô e acordar sem um real na bolsa. Dormir no metrô e passar da sua estação. Dormir no metrô e babar. Dormir no metrô de bocona aberta. Dormir em pé no metrô. (êta, fase!)
Ser assaltada por um pirralho de uns 7 anos com uma faquinha de cozinha ridícula na mão. (sem comentários)
Vender o ticket-refeição e almoçar marmita para guardar o dinheiro do sonhado carrinho e, na hora H, ter que emprestar para a família em apuros financeiros. (de boa...quem já não fez isso?)
Ter que ir para eventos chiques de sapato alto e, por não estar acostumada, passar o resto da semana indo ao trabalho de tênis por causa das bolhas no pé.
Ser demitida. (por enquanto isso só aconteceu no meu primeiro estágio, numa rádio, em 1996)
E você, já teve algum momento loser que mereça sua lembrança bem-humorada?