Caindo pra cima


31/08/2006


Dia estressante

- E aí, Nina, foi tudo bem na escolinha hoje?

- Não...foi tudo mal.

- Por que??

- Eu babei na minha lição.

É muito triste dizer isso, filha, mas é só o começo....rs

 

 

Escrito por mim às 09h51
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29/08/2006


Tia Fefinha diz

 

 

Prestem atenção, caras alunas. Hoje falaremos do sistema de dois pesos e duas medidas. É muito simples e universal. Funciona assim...

 

Ele sai com os amigos para o bar: está desestressando. Ela sai: trata-se uma negligente! Ele fala palavrão no trânsito: é o peso da loucura da cidade grande sobre seus ombros. Ela fala merda de vez em quando: há de passar sabão na boca! Ele sabe pilotar o fogão: tem um “plus a mais”. Ela sabe: não faz mais do que a obrigação. Ela passa suas roupas: (porque você colocou isso na lista??). Ele passa: que prendado! Ela sente dor: é a sina de ser mulher. Ele sente: manhêêê! Ela usa a palavra “desculpe” e pede as coisas usando “por favor...”: o que mais se esperar de uma moça bem-educada? Ele usa: tem tendências homossexuais suspeitíssimas. Ela lê bons livros, vê bons filmes e gosta de cultura: é uma metida intelectualóide. Ele gosta: tem tendências homossexuais suspeitíssimas.

 

Assim, caríssimas alunas, especialmente as adolescentes apaixonadas e moiçolas casadoiras Brasil afora, ouçam esta lição: antes de amarrar seu burro na sombra, façam o “teste do lerê". Primeiro, apresentem seus pretês ao circuito cozinha-lavanderia-fraldas do neném e observem se os espécimes apresentam consternação diante da execução das mais variadas tarefas que as situações domésticas exigem. Ouvidos atentos, ainda, aos sinais verbais (e, porque não, dedais) emitidos no trânsito. Não se esqueça de anotar, também, os possíveis inevitáveis humpfs, grumpfs e “temos um compromisso nesse dia” que virão após o comunicado do próximo happyzinho básico depois do trabalho.

 

Por hoje é só. 

 

Escreva trinta vezes na lousa: "Para uma moça inteligente, um meio-metrossexual equivale a cinco Alexandres Frotas"

Escrito por mim às 09h16
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28/08/2006


Frase da noite: como eu sou BREGA!

Escrito por mim às 19h21
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L´amour

Ele tem sempre um cantinho VIP no meu cafofo eletrônico. Desta vez, apresentou-lhes a concepção de declaração de amor da Solange, uma amiga querida. Para ela, não basta dizer "eu te amo": tem que fazer como Cazuza, que se jogou aos pés de sua amada (ou seria amado?) e assumiu-se um "exagerado". Valeu, Sô! ;-)

Pra mim, declaração de amor não é aquela feita com poesias. Tem que ser aquela que o cara diz que sabe que tem mil defeitos, que é problemático, mas que te ama muito, que não vive sem você. É quando ele declara em público que você é especial, forte, batalhadora, e que, principalmente, te admira, que tem orgulho de estar com você, porque você é mulher em todos os sentidos da palavra e porque, apesar de todos os problemas, está disposta a permanecer ao seu lado, e que as coisas podem melhorar. E que quer envelhecer junto de você. Os dois velhinhos, com suas manias, mas com muita cumplicidade e companheirismo. E o jeito de fazer essa declaração, é como a música do Cazuza: "Exagerado, jogado aos seus pés". Tem que ter uma entrega total nessa declaração. Sair do fundo da alma, como nunca na vida ele agiu.
 

Nota da blogueira: aaaaaaiiiiii..........(som de borboletas)

Escrito por mim às 19h19
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Milágrimas

Composição: Itamar Assumpção e Alice Ruiz

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Escrito por mim às 10h49
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26/08/2006


Filhos

- Mamãe, porque você tá chorando?

- Nada, Nina.

- Porque você tá chorando??!

- Porque eu tô triste.

- Porque?

- Porque sim.

- Porque sim não é resposta.

...

- É porque meu coração tá triste.

...

- Ah, já sei! Seu coração tá triste porque você queria ficar brincando comigo mas tem que trabalhar, né?

Escrito por mim às 13h38
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25/08/2006


Célebres frases do mestre Ni

Galinha que come minhoca fica longe do rio.
O tolo admira a banana. O sábio a come.
Em uma sala com um menino e um velho, certamente um dos dois irá ao chão.
Na hora do apuro, um cálice e um penico têm a mesma serventia.
O tolo conta as estrelas. O sábio o espera terminar.
Para o cego, a peruca é um guaxinim em permanente repouso.
O sábio difere perfeitamente o ter e o ser. O fanho nem tanto.

A saga completa do mestre você encontra aqui.

Escrito por mim às 14h00
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Foi bom, mas...

Saí do Orkut em ótima hora. Imagina só as fotos da minha Nina à mercê dos 3 mil perfis de pedófilos já indentificados pela Polícia Federal - os quais o Google estranhamente nega abertura de informações? E imagina só a minha vida sendo observada pelo "time de advogados norte-americanos do Google Inc." cuja missão é ficar vasculhando o Orkut em busca de "conteúdos indevidos"? Medo.

O Orkut já me deu o que eu queria: reencontro com amigos da época da escola, do bairro e de trampos do passado, os contatos de algumas pessoas queridas, a brincadeira deliciosa dos scraps e comunidades, a chance de acompanhar um pouquinho da vida das pessoas, e a oportunidade de conhecer, ainda que só pela telinha, gente interessante. Não vou dizer que não foi legal, mas chega de Matrix. Agora, quem quiser me encontrar, o camindo é aqui, onde deposito pensamentos, causos e idéias de vez em quando, ou muito ao vivo e a cores. E se eu quiser encontrar o povo, sem trauma: tenho a minha lista de amigos salvinha da silva.

Fui!

Mais informações sobre a pendenga entre a justiça brasileira e o Google aqui

Escrito por mim às 11h23
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24/08/2006


Flogoral: usos e aplicações

 
 
 
Uma amiga do trampo me contou uma história hilária e bastante reveladora ontem. E eu, como boa jornalista que sou (tássia), me vi na obrigação de prestar um valioso serviço de utilidade pública à minha pequena porém fiel audiência. Mas chega de nariz de cera e vamos ao que interessa: vamos à história.
 
O marido dela adora aqueles antissépticos bucais, tipo Cepacol. Dia desses, ele almoçou e passou correndo na farmácia para repor o estoque. Pegou o primeiro que viu, atraído pelo anúncio do "novo sabor limão". Já no banheiro, ao se ver totalmente sozinho, passou "horas" gargarejando o bagulho. Quando voltou, de reunião marcada, uma de suas funcionárias não se conteve: "chefe, porque sua boca está assim meio torta e sua língua tá pra fora?" E ele: "não fei, afo que five um AVC" (tradução: não sei, acho que tive um AVC*). Então foi ver o que tinha comprado...Porra, ele usou Flogoral para bochechar, e a língua simplesmente paralisou! Resultado: teve que passar a reunião inteira quietinho. Ele, que se diz o maior crica da paróquia, o questionador-mestre.
 
Após me recuperar das risadas, passei o dia pensando "bem sério" nessa história e em como o Flogoral líquido poderia salvar a humanidade de sua própria língua. Imagine só quantos usos possíveis este anestésico poderia ter em situações-limite de nossas vidas. E é claro que minha cabeçinha insana imaginou algumas cenas:
 
No trabalho:
- Astolfo, quero isso pra ontem!
- Fefe, hofe não fai ar. (chefe, pra hoje não vai dar)
- O que?
Fefe, hofe não fai ar.
- Você está bem?
- Esfou, é que five um AVC (estou, é que tive um AVC)
- Nossa, melhor ir ao médico...vai agora!
- Ovrigaga fefe! UI! (obrigada, chefe! FUI!)
 
Em família
- Filho, o que está acontecendo com você, você anda tão estranho...
- Mãe, é que eu fou zei (mãe, é que eu sou gay)
- O que, filho?
- Eu fou zei
- Eu sei que você é zen, mas ultimamente você tem sido zen demais...
- EU FOU ZEI, FOWA! (EU SOU GAY, PORRA!)
- Tudo bem filho, eu já entendi, você é zen mas acha que seus amigos podem pensar outra coisa de você, não fique nervoso, eu te entendo. Prometo não te perguntar mais isso, imagine só, que cabeça a minha, ter pensado o pior de você...
- Ai aaio...(ai caralho) 
 
Na vida a dois
- Porque você nunca diz que me ama?
- Ah? É aro qui eu te figo! (Ah? É claro que eu te digo)
- Que??? Figo?? Você acha que eu sou um figo??
- Aõ, eu isse qui eu femfre te figo! (Não, eu disse que eu sempre te digo!)
- Oh, meu amor, que lindo...eu nunca fui chamada de figo antes! Esquece o eu te amo e me chama de seu figuinho, vai!
 
Frase do dia: Eu frefiro meloun (Eu prefiro melão). Dou um anel de doce pra quem lembrar de onde vem isso...
*Acidente Vascular Cerebral

Escrito por mim às 10h06
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23/08/2006


Minha primeira vez

Tenho falado para alguns amigos mais chegados e parentes que vou anular meu voto nessas eleições para presidente. Será minha primeira vez e, confesso, não estou muito orgulhosa por isso. Protesto solitário e silencioso? Talvez, mas, mais do que isso, meu nulo será procedido em sã consciência e em paz com o meu coração. Não saberia fazer diferente esse ano.

Na real, confesso que meu sonho seria que a maioria do Brasil, o que no mundo das urnas significa mais da metade dos votos contabilizados, anulasse o dito cujo. Se isso soa meio pueril, idéia romântica de líder estudantil da década de 60, não sei, mas acho que essa atitude, ou surto coletivo, seria um choque inédito e necessário nos nossos políticos. Por trás dele, o recado: "vocês pensam que o povo é besta, mas estamos de olho em vocês e sabemos muito bem como usar a democracia ao nosso favor".

Pode parecer meio contraditório, afinal votar é o ato primeiro da cidadania, mas acho que uma anulação em massa seria o primeiro grande ato cidadão legítimo do povo brasileiro em toda a sua história, com direito inclusive a disparar uma série de outros atos legítimos de cidadania. Isso, é claro, se o Brasil decidisse pelo nulo sem que a Globo dissesse isso pra ele.

Não nasci pobre. Nasci e cresci acolhida pela classe média paulistana, o que significa estar no topo da lista da grana no Brasil, por conta da nossa mesopotâmica desigualdade social. Meus pais, sim, nasceram pobres, filhos de pais operários e lavradores. Encontraram nas décadas de 50, 60 e 70 um monte de portas fechadas, o voto inclusive, mas outras abertas para entrarem e serem o que são hoje. Lutaram pra caramba, e com o famigerado suor do rosto puderam dar a mim e meus manos uma educação escolar razoável, valores iluministas, uma casa confortável, livros,  mesa farta, cultura, umas viagenzinhas de vez em quando pra praia, e essas coisas que as pessoas inexoravelmente buscam pros seus filhos. 

Mas o Brasil era outro. É duro crer que, se meus pais fossem jovens hoje, teriam encontrado as condições que encontraram para serem o que são. E o que mais me dói é saber que vivemos numa democracia disfarçada de inclusiva, que proporciona tudo a todos de maneira igual. Não precisa ser sociólogo pra saber que as coisas são bem diferentes do que se pinta. Somos sim manipulados por "forças maiores", como éramos na época da ditadura, no entando tudo ganhou um nome bonito: responsabilidade social, compromisso com as metas do milênio da ONU, bla bla bla.

E vem a velha a pergunta: e o povo com isso? Cadê? Será que os técnicos do governo preocupados com números e com o cumprimento de metas irreais impostas pelos países da ONU e outros organismos regulatórios estão preocupados com o ronco de fome da barriga do nenê, com anemia que acomente a criança do nordeste, com a menina que é entregue pelo pai pra prostituição? Meio difícil acreditar que essas caras olham pro Brasil medieval, né?

Não quero me estender muito mais neste post-desabafo, mas achei importante dizer porque penso no nulo como uma possível pequena "bomba atômica de cidadania" nestas nossas terras. Sei lá. Pra mim, tem momentos da história que só um choque nacional - e com certeza mundial: "nossa, o Brasil acordou, hein?" - pode mudar o rumo das coisas.

Parafraseando nosso último imperador: Se é para o bem da minha consciência e felicidade geral do meu coração, digo a todos que NULO!

Escrito por mim às 14h20
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O amor não acaba no "melhores declarassões"

Participação bem-vinda da Tati que, "sem querer querendo", escreveu uma carta de amor para nossa brincadeira. Obrigada, Tats!

 

"Na semana passada minha amiga Fefa me pediu para relembrar cenas de filmes, músicas e poesias sobre amor. Bom foi uma tarefa bem fácil, o difícil foi parar de pensar nisso...

 

Alguém sabe onde está o off?! Como é que eu freio esse monte de lembranças e pensamentos que tomaram conta de mim?!

 

Passei a semana relembrando grandes paixões e, por fim, me debrucei sobre um grande amor. Não foi minha maior paixão sentida, mas com certeza, meu maior amor vivido.

 

Percorri todos os momentos... nosso começo conturbado, nossas declarações de amor, minha música, os insights do final, as revelações, as mágoas, ofensas, a raiva e a superação.

 

Fefa, sei que você pediu para escrevermos sobre o amor, mas escrever sobre o fim do amor também é um modo de homenagear esse sentimento, não é?! Digamos que é um enfoque diferente....

 

Terminar um grande amor nunca é fácil, por pior que esteja, pois nunca desejamos que algo que cultivamos tanto, como nosso "pertence" mais precioso, se vá, assim, tão facilmente...

 

Criamos armadilhas para mantê-lo, elegemos culpados entre o casal, culpamos terceiros, maldizemos nosso destino, pensamos em casar ao invés de nos separarmos (como se essa fosse uma grande saída), pensamos em atravessar o oceano, mudar de continente, de vida, amigos, valores, pensamos em tudo, menos em dizer adeus...

 

Aí a aflição de pensar no rompimento diminui e nos enchemos de coragem para partir. A coragem pode vir de várias formas: um novo amor, uma viagem ou apenas o rompimento.

 

E quando nos separamos, a dor nos consome, nos julgamos, julgamos nossas escolhas, as escolhas do outro, nos diminuímos e desejamos que todas as risadas compartilhadas, as juras de amor, as trocas de olhares, a cumplicidade vivida, não tivessem existido. Maldizemos o amor e desejamos nunca mais senti-lo...

 

E um dia, quando a poeira já baixou,  percebemos que o amor foi bonito, e que a vida só é plenamente vivida quando amamos...já dizia Hegel: "nada existe de grandioso sem paixão!"

 

Terminar um relacionamento não é matar um amor, é deixá-lo livre para viver em nossa memória. É não deixá-lo adoecer pela insistência da convivência.

 

Um grande amor não deixa de existir, só muda de lugar...sai do presente para compor nosso passado."

 

Escrito por mim às 10h26
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22/08/2006


Paula revê Leminski

Outra participação especialíssima na brincadeira: a Paula, do blog Ardida como Pimenta, é designer e nos brinda com uma bela montagem sobre um poema do Paulo Leminski. Olha que coisa mais linda...

O amor, esse sufoco

Agora há pouco era muito

Agora, apenas um sopro 

Ah, troço de louco

Corações trocando rosas

E socos.

 

Escrito por mim às 09h32
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Declarassões - parte 5

A Ju, agora de blog novo, participa do maiores declarassões de lóvi com um texto bíblico. Segundo ela, "uma das mais famosas, inspiradas e antigas declarações de amor da humanidade". Valeu, Ju! E tem mais participação, arriba.

Livro de Cantares de Salomão

Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho. 
Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome. 
Leva-me tu; eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão. 
Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, porém, não guardei. 
Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros? 

Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores. Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares. Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.

O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. Como um ramalhete de hena nas vinhas de Engedi é para mim o meu amado. Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde. As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste.

Escrito por mim às 09h20
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21/08/2006


The power of loosers

Já são tantos anos, tantas andanças, tantas cabeçadas vida afora. E justo hoje, nesta segunda-feira, uma entre muitas outras que já entopem a caixa de pandora da humanidade, é que encontrei a imagem definitiva. A essência que resume o espírito loser do mundo todo.
 
Obrigada, Pablo, por ceder a imagem e pela sensibilidade.
 
O superhomem brasileiro. Você riu, é claro. Eu também. Mas, espere. Páre o tempo na sua risada. Não se permita ter dó deste homem. Não sinta pena dele. Não deixe sua educação católica ou evangélica ou budista ou sincretista apossar seu espírito do ímpeto filantrópico de sentir compaixão, de estender a mão ou de dizer aquela frase idiota: "coitado, olha aí mais um retrato da miséria brasileira!" Assim é muito fácil.
 
Não, não deixe que sua incapacidade de fazer algo real para esse mundo surreal te levar a tamanho erro. Não deixe sua indignação indigna tirar de você o seu mínimo. Mas se o seu máximo for só sentir pena do homem, na pena. E na taba. Melhor deixar o herói assim, dormindo. Na dele, como a Lua. Como Macunaíma. Ele é dono de tudo que o contém. Ele é senhor do seu espaço, do seu pensamento, do seu caminhar. Ele é o homem, o super - e muito melhor do que você, porque é livre. E ele sabe disso: você é quem acha que ele precisa da sua mão. Na verdade, ele não queria ter sido flagrado assim, na madrugada, com sua identidade secreta exposta. Ele é inteligente o suficiente para saber que isso significaria olhares piedosos e curiosos. Ou, pior, que poderia disparar em certos jornalistas um desejo incontrolável e um tanto hipócrita de escrever sobre sua condição.
 
Sobre a condição do nosso mundo, o que ele teria a dizer, diriam os repórteres? O que para ele é ser super, quando se é tudo o que se descarta no lixo da indiferença, ririam os corações de pedra? Quem é este homem que ousa se dizer superhomem, mesmo sem ser absolutamente nada nessa nossa engrenagem escravagista, diriam os cegos das ruas? O que faz, como vive? Como poderia nos salvar desse mundão cheio de desventuras e tristezas, filosofariam os contadores de histórias? Como poderia nos ensinar a sermos mais felizes do que hoje somos, perguntariam, a si mesmos, os poetas?
 
Não, não pergunte nada a este homem, nem pergunte nada a si mesmo, nem aos outros. Seja só mais sensível e atento do que é hoje, e verá que a cidade está cheia, salpicada de seres voadores. Alados, em alguns casos. Iluminados, em todos eles. E estes seres não são pássaros, muito menos aviões.

Escrito por mim às 15h15
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18/08/2006


Declarassões di lóvi - parte 4

Essa é uma das declarações de amor mais lindas que conheço. Mas...é  MEGA triste, chego a chorar algumas vezes que ouço a música, especialmente na voz maravilhosa da Méav. Vamos à história: Ailein Duinn é uma canção tradicional gaélica, ou seja, celta. Um povo fantástico - no sentido literal e figurado -, que viveu na Europa em épocas que datam de antes dos egípcios. Mas isso é assunto para outros escritos.

A música é, na verdade, um lamento composto por uma mulher que perde seu amado em um naufrágio, às vésperas do casório. Dizem que a dor de seu coração partido foi tão grande que ela morreu meses depois e seu corpo foi sepultado diretamente no mar, no mesmo local onde seu noivo teria sido levado. "É doce morrer no mar..."

Ah... Essa música é tema do filme Rob Roy.

Ailein Duinn (Allan Negro)

Como triste eu estou
Cedo de manhã e eu estou levantando
Eu poderia estar andando agora com o...
Negro Allan, Eu andava com ele

Se o seu travesseiro é a areia
Se a sua cama são as algas do mar
Eu poderia estar andando agora com o...
Negro Allan, Eu andava com ele

Se os peixes são os brilhos da vela
Se as focas são suas sentinelas
Eu poderia estar andando agora com o...
Negro Allan, Eu andava com ele

Eu beberia, apesar de todos detestarem isso,
Do sangue do seu coração, após seu afogamento.
Eu poderia estar andando agora com o...
Negro Allan, Eu andava com ele

E agora a versão original, em gaélico:

Ailein Duinn

Gura mise tha fo éislean,
Moch 's a' mhadainn is mi 'g éirigh,
Ò hì shiùbhlainn leat,
Hì ri bhò hò ru bhì,
Hì ri bhò hò rionn o ho,
Ailein duinn, ò hì shiùbhlainn leat.
 
Ma 's e cluasag dhut a' ghainneamh,
Ma 's e leabaidh dhut an fheamainn,
Ò ì shiùbhlainn leat,
Hì ri bhò hò ru bhì,
Hì ri bhò hò rionn o ho,
Ailein duinn, ò hì shiùbhlainn leat.
 
Ma 's e 'n t-iasg do choinnlean geala,
Ma 's e na ròin do luchd-faire,
Ò hì shiùbhlainn leat,
Hì ri bhò hò ru bhì,
Hì ri bhò hò rionn o ho,
Ailein duinn, ò hì shiùbhlainn leat.
 
Dh'òlainn deoch ge boil le càch e,
De dh'fhuil do choim `s tu `n déidh do bhathadh,
Ò hì shiùbhlainn leat,
Hì ri bhò hò ru bhì,
Hì ri bhò hò rionn o ho,
Ailein duinn, ò hì shiùbhlainn leat.
 

Escrito por mim às 17h18
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É hora do lanche, que hora tão feliz

De uma amiga do trampo:
 
"Olha só, vão colocar câmera nos elevadores do prédio.
 
....
 
Saco, não vou mais poder tirar caquinha do nariz!"
 
 
AHAHAHAHA! ÓTIMA!

Escrito por mim às 12h06
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Declarassões di lóvi - parte 3

Oi, gente! O Pablo participa da nossa brincadeira com essas duas. A cara dele: duas letras de rock, a primeira do Led Zeppelin e a segunda do Pearl Jam. Amei as duas, Pablo! Lindas. Será que eu já ouvi?

Obrigado

se o sol se recusasse a brilhar
eu ainda estaria amando você
quando as montanhas desmoronarem rumo ao mar
ainda assim haverá você e eu
mulher bondosa, eu te darei tudo
mulher bondosa, e nada mais

pequenas gotas de chuva, sussuros da dor
lágrimas de amor se perdem com o passar dos dias
meu amor é forte, com você não existe erro
juntos, nós ficaremos até morrer
deus, meu deus
você para mim é uma inspiração
inspiração, veja, entenda

e então hoje, meu mundo sorri
de mãos dadas, nós caminhamos quilômetros
agradeço a você até tudo terminar
para mim você é a única
felicidade, tristeza nunca mais
felicidade....eu estou satisfeito.
 
 
Anos Luz

Eu usei martelos feitos sem madeira.
Eu pratiquei jogos com peças e regras.
Eu decifrei truques no bar.
Mas agora você se foi, não sei por que.
Eu propus enigmas e passatempos de guerra.
Eu entendi números e para o que servem.
Eu entendi sentimentos, e eu entendi palavras.
Mas como você pôde ir embora?

E onde quer que você tivesse ido, onde quer nós pudéssemos ir.
Não parece justo. Desaprecer por dias.
Suas luzes agora refletem. Refletem a distância.
Nós fomos apenas pedras. Sua luz nos fez estrelas.

A respiração pesada, pesares despertados.
Páginas passadas e dias só isto poderia ter-se esgotado.
Juntos, mas nós estávamos... a milhas de distância.
Toda polegada entre nós agora se torna anos luz.
Sem necessidade de ser vazio, ou economizar em vida.
Oh, você consegue gastar tudo.

E onde quer que você tivesse ido, onde quer nós pudéssemos ir.
Não parece justo. Você parece estar aqui.
Suas luzes agora refletem. Refletem a distância.
Nós fomos apenas pedras. Sua luz nos fez estrelas.

Escrito por mim às 11h07
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17/08/2006


Tá ficando bom...

A Amanda resolveu participar e mostrar pra gente um pouquinho da "luta de poesia" que ele travava com o Cláudio, grande amor da vida dela. Obrigada pela participação especial, mana!

 

Para aquecer uma do Claudio, que amo:

 

Prometendo

Vou te prometer o céu, a lua cheia, vou te prometer a felicidade que tanto anseia, vou te prometer risos, sonhos, mãos dadas, vou prometer vitórias, assim de quem quer quase nada, vou prometer tudo que puder, vou prometer tudo que vier, vou prometer ser teu, essa é a mais simples, pois prometer o que já é fato, é como receber um brinde. Vou prometer enfim, amar você, hoje à tarde, às dezesseis, e amanhã, desde cedo, prometendo te amar outra vez.

 

 

Agora uma minha (que chique!) feita com a pessoa que me deu a consciência de que não estou sozinha ... nem para morrer!

 

Trovas de amor

Acho que os sentimentos tem células, pois as sinto remexer, intensas borboletas a se fundir e a se desprender... Não acredito que sejam células. O que sentes a remexer, São lombrigas pedindo lulas, Em Parati ao amanhecer. Sim tuas lombrigas viajantes, Em minha barriga pensionadas, Agora mais livres que antes, querem por que querem lulas recheadas. Não faz isso comigo, Você está de gozação, Sabe que não consigo, Fazer repentes de supetão. Isso, assim mesmo, surpreenda. E talvez nunca mais esqueça, Que fazer rima e trova remenda, Tudo de que esse coração padeça. Céus, onde fui amarrar meu burro, Você sabe que minha cabeça ferve e arde. Por Deus eu peço, eu imploro, eu urro, Me liberte desta aposta covarde. Que sela frouxa desse poeta arrogante, Apostou, rodou o chapéu, e caiu de quatro. Atirado por ela, por uma poeta iniciante. Mas deixa, ainda como de graça esse prato. Não posso mais continuar, Posso pedir a toalha? Tarefas tenho que terminar. Paramos por hora, Descanso merecido. Muito embora, Temos resistido. Poeta minha querida, Mesmo ainda iniciante, És muito boa de briga, além de ótima amante! Que saco de poeta mais atrevido, Deixa ser o último o que vai indo, Prometo sussurros em seu ouvido, Desejos ocultos em sustenido. Ufa! Sabia que eu tinha Um anjo lindo na mão, Deu descanso para a rinha, Além de tudo, tem bom coração, Senão me restará apenas a tralha. Se deixasse o último prevalecer, Como poderia ter certeza, Que meus ouvidos iriam merecer, Tal sussurro, tal surpresa.

 

Nota da blogueira 1: aaaaaaaaaaiii.......(som de violinos)

Nota da blogueira 2: se quiser postar suas declarações de lóvi selecionadas no seu próprio blog para participar da brincadeira, é só me avisar depois que coloco aqui também...

Escrito por mim às 14h35
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Ele...de novo!

Cena do filme: Tristão e Isolda
 
Qual a declaração de amor mais bonita ou marcante que você já ouviu, leu ou viveu? Este post inaugura uma série dedicada às melhores declarações de amor de todos os tempos no cinema, música, literatura, artes, novelas, parachóques de caminhão e quetais. Vale tudo mesmo, de Shakespeare àquelas cartinhas perfumadas que você mandava para seu namorado e/ou namorada adolescente. Vale declaração de amor romântica, vale declaração de amor quente, vale rasgação de seda, vale haikai, vale tudo, até juras de amor entre pessoas do mesmo sexo. Sem preconceito. O importante é soltar o eu lírico que habita dentro de você! Mesmo que ele se chame "neném", "fofinha" ou "amorzão". Afinal, o amor é brega. E as cartas de amor, ridículas.
 
Então, mãos à obra, digo, corações à obra! Só pra gente começar, eis aqui uma pequena seleção. São coisas que ouvi, li e vi e que lembro assim, de bate-pronto. Divirta-se e não esqueça de deixar um suspiro bem à moda antiga no final...
 
Da música "Luiza", de Tom Jobim: Escuta agora a canção que eu fiz / Pra te esquecer Luiza / Eu sou apenas um pobre amador / Apaixonado / Um aprendiz do teu amor / Acorda amor / Que eu sei que embaixo desse neve mora um coração
 
De Vinícius (não sei o nome da poesia): Eu sei e você sabe / Que a distância não existe / Que todo grande amor / Só é bem grande se for triste / Por isso meu amor / Não tenha medo de sofrer / Que todos os caminhos / Me encaminham a você.
 
Ainda Vinícius, em "Eu sei que vou te amar": Eu sei que vou te amar / Por toda a minha vida eu vou te amar / A cada despedida, eu vou te amar / Desesperadamente, eu sei que vou te amar / Eu sei que vou sofrer / A eterna desventura de viver / À espera de viver ao lado teu / Por toda a minha vida
 
De Dulce Maria Loynaz, poetisa cubana: Si me quieres, quiéreme entera / no por zonas de luz o sombra… / si me quieres, quiéreme negra / y blanca. Y gris, y verde, y rubia / quiéreme día, quiéreme noche…/ Y madrugada en la ventana abierta! / si me quieres, no me recortes / ¡quiéreme toda…. o no me quieras!
 
Da música "As rosas não falam", de Cartola: Bate outra vez, com esperança o meu coração / Pois já vai terminando o verão, enfim / Volto ao jardim, na certeza que devo chorar / Pois bem sei que não queres voltar para mim / Queixo-me as rosas, mas que bobagem / As rosas não falam / Simplesmente as rosas exalam / O perfume que roubam de ti
 
De Fabrício Carpinejar, escritor, em "Carta para Mariana": Nós temos olhos caídos. Eu e você. O que será que observamos ao nascer para derrubar os olhos?
 
Da música "Lovesong", do Cure: However far away / I will always love you / However long I stay / I will always love you / Whatever words I say / I will always love you
 
De Luiz Ribeiro, músico:  me dá novos sonhos / me brinca e me desliza / me dá tudo dentro de um beijo! / beijo maior que o mundo / por um instante / por um segundo... / e eu que quero tanto e quero tudo! e que te desejo / um desejo meio surdo e meio mudo.../ logo eu que não sei se posso / te dar mais / que um simples mundo!
 
Da poesia Cais das Almas, de Paulo César Pinheiro: Teu corpo é o barco sobre o qual navego / A cama é o rio onde a boiar me deixo / Girando em torno de seu próprio eixo / O barco é louco e o comandante é cego
 
Da música "São Gonça", do Farofa Carioca: Pretinha / Faço tudo pelo nosso amor / Faço tudo pelo bem do nosso bem (meu bem) / A saudade é minha dor / Que anda arrasando com meu coração / Não duvide que um dia / Eu te darei o céu / Meu amor junto com um anel / Pra gente se casar / No cartório ou na igreja / Se você quiser
 
Pronto, já deu para aquecer (o coração). Manda a sua declaração que eu (lírica) posto nas próximas. 
 
E antes que eu me esqueça:
 
O amor é como um raio galopando em desafio
Abre fendas, cobre vales, revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho
Na pureza de um limão ou na solidão do espinho
(Faltando um Pedaço - Djavan)
 
Ps.: obrigada Tati, Amanda e ao blog Inconfidência Mineira pelas sugestões

Escrito por mim às 10h37
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16/08/2006


Frase do dia: não fui eu, foi meu EU LÍRICO!

Escrito por mim às 13h55
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Jardins secretos

Crescem em mim jardins secretos
Neles, amanheço lírios
Atardeço girassóis
Anoiteço rosas
 
Em meus sonhos, são eles caminhos 
Feitos para meus pés nus de moleca
De menina do interior
 
Piso de leve para não acordar os pássaros
Faço o vento soprar as folhas secas
Só para ver brotar, delas, o verde que resiste
 
Crescem em mim dons secretos
Dons de calores, dons de dores
 
Deles, nasço menina
Cresço flor
Ouso ser fada
Morro de amor
 
 

Escrito por mim às 10h04
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15/08/2006


Tempo

Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio

Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo, seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final...

(Sobre o Tempo - Pato Fu)

Escrito por mim às 13h56
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11/08/2006


10h30 da noite (+-)

Marina penteia cuidadosamente cada uma de suas Barbies, informa que os nomes delas são Mia, Roberta, Vicki e Lupita (as Rebeldes), e diz que elas vão todas para ´o show´. Aí começa a se emperequetar toda, com batom, colar, tiara, etc. Mãe: "Ué, Nina, as rebeldes não vão cantar pra gente?" Nina: "Não, mãe!
EU é que vou cantar para elas!"
 
Moral da história: pari uma barbie
 

Escrito por mim às 15h05
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Break para ajudinha

Eu ia postar aqui a primeira aventura da paulistana moderna. Mas a Paula, amiga do blog É tudo Verdade, mandou isso, e eu derreti. Segundo Paula, a organização é super idônea. Vamos ajudar?

"Olá amigos da Casa Luz.

Esperamos que todos tenham tido um excelente mês. Queremos agradecer o apoio e carinho de todos os anjos, que tem nos auxiliado nesta nova fase. Bem vamos aos acontecimentos.

Entre o mês de Julho para Agosto, nosso pequenino Antonio ("Toninho") sofreu problemas sérios de saúde e ainda esta se recuperando no Hospital em Piracicaba, tivemos que deslocar uma das tias para acompanhar seu restabelecimento e esperamos que entre esta e inicio da outra semana ele volte para casa.

Temos 02 (dois) novos anjinhos na casa uma descendente indígena que se chama Alexandra e atende por "Ara" com dois aninhos e a pequena Adriana recém nascida chegou com apenas 08 (oito) dias.

Nestes últimos dias estivemos em reforma, pois ganhamos de um colaborador o piso da sala e quartos, assim as crianças foram passear num hotel fazenda na cidade de Piracicaba, aproveito aqui para agradecer a hospitalidade com que receberam nossas crianças, sei que não foi fácil cuidar e disponibilizar um cantinho só para elas, que voltaram com a corda toda, todos moreninhos aproveitaram o tempo quente e se divertiram a valer.

Voltamos para casa sábado passado, percebi que todos estavam ansiosos para este retorno, e também foi efetuada uma pequena modificação no parquinho, ganharam de outros dois colaboradores brinquedos novos, estamos providenciando com a colaboração de nossos amigos, uma outra parte do quintal para colocarmos os brinquedos menores para nossos bebes que já estão engatinhando e também para que eles aproveitem melhor o Sol no período da manhã.

Com relação á segurança, chegamos a conclusão e por fim tivemos que dispensar uma Tia para garantir a contratação de um Tio, que já esta no período noturno fazendo e garantindo a segurança de nossas crianças e tias, infelizmente optamos por isto devido a duas tentativas que ocorreram no período da reforma que se deu por 15 (quinze dias).

Estamos precisamos com certa urgência de voluntários na área de Psicologia para que nos ajudem a implantar atividades a nossas crianças maiores e como nossa população de bebês cresceu consideravelmente e não temos automóvel para levá-los a clinicas e hospitais, queremos assegurar a saúde e bem estar deles, com visitas semanais no abrigo de Médicos Pediatras. Esta época do ano e sem chuva alguns ficam resfriadinhos.

Nossas necessidades aumentam sempre com a chegada de novas crianças, desta forma pedimos a colaboração daqueles que possam nos ajudar a manter a casa, nosso bazar este mês deu uma pequena melhorada, por isso continuamos na campanha de moveis, utensílios domésticos e brinquedos usados.

Nossa conta para ajuda financeira.

Bradesco

Agência: 601-7

Conta Poupança: 1000.166-8

 

Agradecemos a todos os amigos que de uma forma ou de outra ajudou e continuam ajudando á transformar o sonho em realidade, dando a estas crianças a oportunidade de uma vida mais digna. Seja um multiplicador e ilumine o futuro dessas crianças. Que Deus abençoe cada um de  vocês...iluminando seus passos."

 

Lar Social Casa Luz

casaluz04@uol.com.br

casaluz05@terra.com.br

www.casaluz.org.br

Escrito por mim às 14h44
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09/08/2006


7h50 da manhã

Marina acorda depois de muito esforço empreendido pela mãe, incluindo cosquinhas, imitações toscas de duendes, fadas e sacis, comentários sobre o próximo passeio da escola, perguntas sobre os amiguinhos e outros subterfúgios. Mau-humorada e ranzinza, ela solta: "mãe, você merece...ir pro ônibus!"
 
Moral da história: não precisa ser alfabetizada para entender São Paulo
 
 
 
 

Escrito por mim às 11h34
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07/08/2006


Acabei de ouvir uma sirene. Ainda ouço sirenes enquanto trabalho. Dizem que essa mania passa depois de um ano trabalhando na Av. Santo Amaro. Por enquanto, continuo ouvindo as sirenes. E tentando imaginar para onde estará indo a polícia. E tentando imaginar para onde estará indo nossa cidade. Até quando?

Escrito por mim às 14h17
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04/08/2006


Filha, um dia tudo isso será seu!

Não poderia terminar meu dia sem contar isso. Além de estar mais bem resolvida consigo mesma do que nunca, a Nina anda devolvendo pra mim algumas das minhas mais selecionadas babaquices. Uma delas é o "praticamentiii...vocêêê....". Se você não sabe o que é isso é porque não é da família ou não é amigo muuuito chegado, mas eu sou uma pessoa generosa e explico. Inspirada na obra de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, costumo fazer cosquinha no pescoço dela utilizando um jargão clássico do mestre, que afinal começa todas as suas frases com a palavra "praticamente". Em geral, sem se preocupar muito em concordar os artigos definivos ou indefinidos com seus respectivos sujeitos.

Pois bem. Agora é a Nina quem "aplica um praticamenti" em mim. Ou seja, ela vem com aquele dedinho em riste querendo atacar meu pescoço.

Outra que ela já adotou foi o "pocotó de mão", do filme "Monty Phyton e o Cálice Sagrado". Quem me conhece sabe que esta é uma das minhas comédias favoritas. No filme, um rei Arthur toscão cavalga um alazão imaginário pela Inglaterra medieval em busca de cavaleiros que o acompanhem em sua busca pelo Santo Graal. Atrás dele, um escudeiro bate duas metades de um coco para produzir o som do trote do cavalo. É muito ridículo. 

Então. Deu para a Nina sair cavalgando o seu pangaré imaginário e falar: "mãe, faz o pocotó". E eu saio atrás dela, imitando o cara dos cocos. É muito ridículo.

Frase do dia: We shall say NI !

Escrito por mim às 18h31
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Minha filha desapega

E Nina quis dormir sozinha. Juntou as coisas dela, pijama, bonequinho, pulou na cama e disse "mãe, agora apaga a luz e sai?". Assim, resoluta. Assim, desapegada.
 
Adulto deveria ser que nem criança pra algumas coisas da vida...

Escrito por mim às 14h21
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02/08/2006


E viva o peitão (de leite)!

 
Infelizmente não tenho nenhuma foto minha amamentando a Nina. É uma pena, porque uma das coisas mais bonitas de se ver é uma mamãe e seu filhote conectados. 
 
Mas....não tem problema. Se tem uma coisa que lembro muito bem, apesar da minha péssima memória para muitas coisas, é de quando dava meus "melõezinhos" para a filhota. A primeira vez foi inesquecível. Ainda na maternidade, eu super ansiosa, mas com a ajuda e delicadeza das enfermeiras que me atenderam, Marina foi muito bem sucedida já na sua primeira tentativa. Virou o maior bezerrinho, mamava e tinha fome de leite o tempo todo. 
 
Um dia, acho que no segundo na maternidade, lembro que minha ex-cunhada Ana Cristina estava entrando no quarto para me visitar e, quando viu que eu estava me preparando para dar o peitão (sim, o melãozinho havia virado uma melancia), disse: "Vai, Fernanda, fica aí tranquila e curta o seu momento. Ele é só seu!"
 
É isso o que acho da amamentação. É meio egoísta, mas ao mesmo tempo que ele é um ato de entrega e amor totais, ele é um momento da gente, mamães, com nossos filhotes. Por isso que, mesmo quando não temos nenhuma foto para retratar esse ato de amor, ele nunca mais vai sair da nossa memória e dos nossos corações.
 
E são tantas memórias lindas de quando dava "meu tetê" para a Nina...uma delas é a sensação incontrolável e inexplicável de felicidade em estado puro. É verdade o que dizem sobre essa sensação, de alegria, paz e bem-estar que a amamentação proporciona à mãe. É algo que se sente quando se amamenta. (homens, morram de inveja... ahahaha!)
 
Outra coisa que me lembro bem é da carinha da Nina. Sabe aquela paradinha que eles dão nas mamadas e aí viram pra gente e abrem aquele sorriso lindo, como dizendo "obrigada, mamãe"? É uma lembrança vívida, apesar de datar de cinco anos atrás! Bem, tenho a impressão que direi o mesmo quando ela tiver 20, 30, 40 anos....
 
Também me lembro das musiquinhas que cantava e até inventava (algumas mega exdrúxulas), enquanto Nina sorvia meu leite. Era só o instinto falando alto, mas cantando baixinho, bem baixinho....
 
Foi uma pena que tenha parado cedo, por imaturidade, insegurança com a revolução da minha vida nova, por ansiedade com meu futuro profissional, por ouvir demais das pessoas ao redor, e por tantas coisas que influenciam a gente negativamente. É difícil não admitir que me sinto culpada por ter dado exclusivamente o peito até os três meses e meio-quatro meses, somente.
 
A gente erra muito quando se torna mãe. Mas a gente sempre erra pensando no melhor para eles. Assim, se eu pudesse voltar, faria tudo diferente, talvez até tivesse adiado carreira, apartamento próprio, carro, e todas essas coisas que nós, da classe média, insistimos em achar que precisamos para sermos felizes. 
 
Como não dá para voltar no tempo, a mensagem que deixo aqui, como uma mãe brasileira que, como tantas e tantas outras, teve que ir à luta e não teve a chance de parar tudo e cuidar com seu filhote no mínimo até seu primeiro ano de vida, é: faça de TUDO para dar de mamar no peito, exclusivamente no peito, o máximo que puder. Não há carreira, carro, televisão, computador, DVD, viagem, roupa ou sapato novo que paguem esse momento. Prolongue ao máximo a amamentação do seu filho e, se mesmo quando já tiver voltado a trabalhar, ele ainda se interessar no seu leite: 
 
DEIXA O MENINO SER FELIZ! hehehe...
 
No futuro, seu filhote vai agradecer, pois será uma pessoa muito mais segura, saudável, serena, inteligente e feliz. E você, uma mãe certa de ter feito um bom trabalho não só pro seu filho, não... mas pra toda a humanidade! 
 
É isso! Feliz Semana Mundial de Amamentação!
 
Este post ao estilo "confesso que vivi" participa da blogagem coletiva em homenagem à Semana Mundial de Amamentação, proposta pela Denise Arcoverde, do blog Síndrome de Estocolmo.

Escrito por mim às 10h43
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos