Caindo pra cima


29/09/2006


Domingo taí

 
Aos 45 minutos do segundo tempo, uma lista, tirada da minha própria e única cabeça, pra ajudar você a votar de consciência um pouco mais tranquila.
 
1 - Encare o famoso: "Afinal, porque esse cara?"
 
Questione se você não está votando em fulano porque "alguém falou que é muito bom". Fuja de chavões do tipo: "vou votar no Alckmin para o Lula não entrar" - existe vida fora do PT e do PSDB. Entre nos sites das campanhas (o Google te ajuda a achar) e dê uma lidinha das propostas deles. Esqueça o PSOL nesse quesito, que é o único sem programa de governo, pelo menos publicado na internet. 
 
Mas se a preguiça de ler aqueles textos chatíssimos e marqueteiros das campanhas bater, apele para o jornalismo velho de guerra e pesquise. Dá para achar um monte de entrevistas bacanas com "os cara" digitando um simples "Entrevista com Fulano" no Oráculo. Enfim, vote em alguém que tem a ver com o que você acredita minimamente, já que maximamente é meio difícil.
 
Enfim, vai ler e páre de ser papagaio! Esgote todas as possiblidades de informação e formação de opiniões. E, se você achar que nenhum concorrente te mobilizou de verdade, não abra concessões nem tape o sol com a peneira: ANULE, sem com isso se achar um terrorista anti-democracia.  
 
 
2 - Tente ser menos medíocre 
 
Quando o assunto é política, arrisco dizer que 99,9% da população brasileira é rasa nas opiniões e motivações para a escolha de seus candidatos. Um exemplo clássico são certas categorias profissionais, que votam em fulano só porque, por exemplo, ele fez um monte de obras na cidade que melhoraram o trânsito. Como se os cidadãos fossem carros. 
 
Amplie seus horizontes e desembace sua reduzida visão política. Ou pelo menos, dê o primeiro passo, como eu fiz neste ano. Não dói nada e você ainda paga de sabidão perto dos amigos (rs). Traduzindo: procure ler sobre TODAS as propostas do seu candidato, de educação e saúde até energia nuclear e política de exportações.
 
 
3 - Dispa-se de seus preconceitos
 
Ou, pelo menos, deixe de ser hipócrita falando que vota no Gabeira só pra parecer super intelectual. Assuma que vai votar no Frank Aguiar pra deputado federal e pronto! Mas, por favor, não faça isso sem antes conhecer o que o cara tem pra levar pra Brasília. A música dele pode até te apetecer, mas política é uma coisa bem diferente.
 
 
4 - Em algum lugar do passado...
 
Ao mesmo tempo que você busca informações sobre as propostas seu candidato, procure saber "o que ele fez no verão passado": envolvimento em acusações de corrupção, histórico profissional, militâncias, realizações anteriores (no caso daqueles que já exerceram cargos públicos). Arrisco dizer que metade do seu voto será decidido nesse momento. Pra te ajudar, uma lista de sites que defendem o voto consciente, chupada (na caruda) do blog Pensar Enlouquece: Transparência Brasil, Voto Consciente, Contas Abertas, Congresso em Foco e Políticos do Brasil.
 
 
5 - As velhas dicas bestas de sempre!
 
Não deixe pra dirigir-se ao seu colégio eleitoral na marca do pênalti, mais conhecido como 17 horas. Não esqueça o documento: título, identidade original ou carteira de motorista. Leve a "colinha" para não errar na hora. Não deixe sua filha de cinco anos tentar te convencer a votar no candidato do pai dela. E, principalmente: não faça muita festinha nem arrume encrenca com os mesários se não quiser se juntar a eles nas próximas eleições (nunca se sabe quando uma lenda urbana pode virar realidade!).
 
 
Frase do dia: vê se enfia o Brasil na cabeça, ô mané! 

Escrito por mim às 19h52
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27/09/2006


Épicos da fauna corporativa

 
Essa musiquinha que não me sai da cabeça
 
 
"E, então, diante do cenário atual de disputa de mercado entre as organizações, decidimos em reunião de conselho que..."
 
...
 
"Cafuné...cafuné...."
 
...
 
"...para que todos possamos trabalhar de forma articulada e integrada, para que sejamos mais eficientes e eficazes..."
 
...
 
"...é de São...São Tomé..."
 
...
 
"....não serão, definitivamente, tolerados!"
 
...
 
"...vem de lá, da Luanda...tem cheirinho, de Zimbanda" 
 
...
 
"Alguma dúvida? Estamos todos acertados?"
 
...
 
"Lelê-ê, lelê-ê....lelê-ô, lelê-aa...." 
 
 
 

Escrito por mim às 14h18
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26/09/2006


Here goes the sun...tchurururu...

Acabei de passear pelo blog da Cacau e lá está uma foto linda, de um entardecer na Suécia, país onde ela está vivendo. Resolvi, então, dedicar esse post a uma das coisas mais maravilhosas do nosso planeta: o espetáculo chamado Pôr-do-Sol. Minha paixão é tanta que tenho um monte de fotos de "pôres" gravados no meu computador. E não precisa ser clicado por mim não, basta eu gostar que logo vou acumulando, para desespero do mocinho da informática aqui do trampo. "Pessoal, limpem suas pastas!". rs

Enfim, sou fã mesmo mesmo, como diria o Shrek. Mais gostoso ainda é quando a gente é que está lá para clicar o momento e curtir ao vivo e a cores o grande "até logo". Como é o caso deste pôr lindão que foi registrado por mim na Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro. Tenho várias versões dele, em outros tons de amarelo, em sépia e em preto e branco.

Sol: "-Ei, pode até ser meio brega, mas vai dizer que você não pensa na morte da bezerra quando me vê indo embora?"

Escrito por mim às 18h23
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25/09/2006


Depois de um tempo....

a gente aceita os fracassos

com a cabeça erguida

e os olhos fixados adiante...

 

a gente aprende...

a construir todas as rotas no hoje,

porque a terra do amanhã

é muito incerta para planos...

e o futuro tem jeito de cair a meio vôo...

 

a gente aprende...

que até o sol queima se exigir muito...

 

E então...

 

a gente planta o próprio jardim

e decora a própria alma,

ao invés de esperar

por alguém que nos traga flores...

 

e, a gente aprende que realmente é forte...

que realmente pode perseverar...

que realmente vale a pena....

 

a gente aprende....

 

a gente aprende....

em cada despedida

a gente aprende!

 

(Baseado em mais um pseudo-texto de William Shakespeare...ou não!)

Escrito por mim às 21h18
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Mini flash-back

Neo-Gaúcha, Baixinha Invocada, Giulianna e Mocinha Transgênica, há dois finais de semana, direto do túnel do tempo. Que saudade!

  

Escrito por mim às 17h16
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21/09/2006


 
Atendento à sugestão do líder de audiência Síndrome de Estocolmo, estou participando do protesto
"Eu apoio a Daniela", contra todos(as) os(as) babacas reacionários(as) que estão por aí bradando que a Cicarelli é vagabunda, enquanto chupam o dedo e lambem com a testa.
 
Mais uma vez: FODAM-SE, CONSERVADORES!
 
(que delícia dizer isso...)
 
Pra participar, é só copiar e colar o selinho acima no seu blog também... ;-)

Escrito por mim às 20h02
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Vivendo e aprendendo (a não ser idiota)

Demora, às vezes um dia, às vezes uma semana, quem sabe alguns meses. Até que chega um dia que, puft, você cai na real. Passa a fazer um sentido danado tudo o que você vem ouvindo de todos ao seu redor - e até de você mesma, em certa dose. Demora, mas a realidade vence. Se tudo tem seu tempo, ela, a clareza, também tem.

Eu sou míope, 4,5 graus em cada olho. Deve ser por isso que preciso de tanta gente me ajudando a andar. Deve ser por isso que sou tão intensa - a mim não me basta ver, preciso sentir, mergulhar na alma, brincar de sonho, tocar, cheirar, rir, provar, sintonizar. Essa minha (in)habilidade sempre esperou retorno.

Eu sou sonhadora pra caramba. A Lua é minha companheira de signo. Se não tiver gente fio terra do meu lado, me ferro e meio, de verdade. Eis aí o problema: o sonho. Sonho cansa, se não é colocado em prática. E eu estou de verdade cansada de sonhar.

Eu canto pra viver. Caso contrário, já estaria morta em vida. Se choro, se me desespero, é o meu canto saindo pelos poros. Aí sigo simplesmente cantando, sonhando, vendo estrelas onde ninguém vê nada. Aí sigo simplesmente sozinha.

Imagine como é para alguém como eu aprender a cair na real. Sempre sinto que vou precisar de mais aulas.

Frase do dia: "Enquanto eu na canção, você no parque industrial"

 

Escrito por mim às 17h53
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20/09/2006


Fuck you, conservatives

Fujo da proposta do meu blog ao comentar eventos como o famigerado vídeo da Daniela Cicarelli com o namorado fazendo sexo na Espanha. Se você ainda não viu ou ouviu a respeito desse importante acontecimento mundial, trata-se de uma filmagem caseira, feita, ao que tudo indica, por um paparazzi, que mostra ela e o cara se amassando numa praia espanhola e aparentemente transando no final, dentro da água. O filme caiu na internet, e aí você pode entender porque tomou a dimensão de "escândalo". Quem ainda não viu, o blog do Gio dá o caminho.
 
A coisa é que estou lendo e ouvindo tantos absurdos por aí que, como pessoa que acredita que um outro mundo é possível, não consegui ficar quieta no meu canto. Vamos tirar a parte do escândalo de lado. Sexo por sexo, já vimos outras celebridades nuas, afogando o ganso ou perto disso por meio de revistas de fofocas e outros meios de informação para entretenimento fácil. Isto é, a ex-mulher do Ronaldo Fenômeno já não é mais escândalo quando transa debaixo d´água.
 
Escândalo, esse sim, é a atitude reacionária e conservadora de uns ou outros. Mais uma vez comprovo minha tese de que o mundo tem dois pesos e duas medidas para homens e mulheres. Será que as pessoas, especialmente algumas mulheres (que vergonha!) não escutam a si mesmas quando soltam pérolas como "Ele é lindo, mas ela é uma vagabunda, uma vulgar"?
 
Se ela é uma vulgar porque transou de forma super sensual e apaixonada com o homem que roubou seu coração, então, meus amigos, devo dizer que pelo menos metade da população mundial é "vulgar", "vabagundo" e "deveria ter vergonha na cara". Outros dirão: "É, mas ela estava dando pro cara na praia, que é um lugar público". Como disse uma outra garota blogueira, só que com outras palavras, "quem nunca transou em público, no mínimo fantasiou com isso".
 
Tudo isso para dizer que, longe de fazer apologia ao exibicionismo sexual e quetais - boa sorte para quem gosta - apesar de ter sido tachado de sexo explícito, achei o vídeo super sensual e lindamente caliente, isso sim. Mostra, primeiro, dois amados se amando. Segundo, dois amados se amando. Terceiro, dois amados se amando. E mesmo se não "for amor verdadeiro", afinal o nosso preconceito tende a acreditar que a Cicarelli, como toda celebridade, não se liga emocionamente a ninguém, dane-se: o corpo é dela e ela faz o que quer, principalmente sexo.
 
Picas eretas à parte - o que, aliás, quase não aparece -, brincadeirinhas de amor ridículas à parte (afinal, o que é o amor senão um pote de sacarose, como já disse a amiga Ju), e Cicarelli à parte, as imagens servem para mostrar que sim, love is in the air, graças a Deus, firme e forte, e que assim seja SEMPRE nesse mundo de tanta guerra, miséria e dor.
 
Love is in the air, apesar de todos os conservadores e travados de plantão, estes que nesse exato momento estão se masturbando com as lindas cenas de amor do vídeo enquanto soltam suas pérolas machistas e reacionárias por aí. Pena que o mundo ainda ouve esses babacas...  

Escrito por mim às 14h12
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19/09/2006


Lug, te amo!

Ter irmão fofo e poeta dá nisso... Olhos de mel

 

Escrito por mim às 20h09
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Sampa Blade Runner

Acorda de calcinha
Vai dormir de pullover
Ao meio-dia está de alcinha
Espera o ônibus num inverno de Hannover
 
Pela janela vê tons cinza-negros
Dois minutos depois o Sol arde
Na íris, misturam-se azuis amarelo-vermelhos
Chuva e inundação chegam à tarde
 
Que saudade da "Terra da Garoa"
Quando Sampa "ardia" só quando verão
E mesmo assim a coisa era dá boa
Sem radioatividade nem poluição
 
Agora o vento traz frio, chuva e viração
Mas só quando a Argentina deixa
Frente fria, eis o nome da quinta estação
Mas que é como uma gota d´água numa Rapunzística madeixa
 
 

Escrito por mim às 15h35
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18/09/2006


Épicos da fauna corporativa

Garota, interrompida
 
14 da tarde. A colega sentada ao lado sofre. Conversa difícil no telefone. Olhos cheios de água. Esgar de angústia, impossível de não ser notado pela outra colega que acompanha, sem nem mesmo olhar, cada movimento daquela luta pra se fazer de forte. 
 
Por cima do biombo azul marinho que divide aqueles dois femininos pequenos mundos, ela lança um olhar de pesar. "Eu me importo". Em troca, recebe uma expressão de busca. "Por que tem que ser assim?". 
 
No segundo silencioso que precede o ensaiar de uma frase que dê sentido, elas ouvem o chamado:
 
- Reunião em cinco minutos, meninas!

Escrito por mim às 14h52
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Descobertas

- Mãe! Descobri porque eu estou obediente!

- Porque, Nina?

- Você não fala que quando eu era bebê eu era mais obediente do que eu sou hoje?

- É...é verdade.

- E você não fala que eu pareço bebê às vezes?

- É, cê tem razão!

- Então! Se eu era mais obediente quando eu era bebê e às vezes eu pareço bebê, então às vezes eu tô obediente hoje! 

P.S. Qual será o Q.I. dessa baixinha??

 

Escrito por mim às 13h36
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13/09/2006


Mel e lágrimas

Se você fosse eu, você olharia pra você com meus olhos. E seus olhos veriam o que vi e ainda vejo. Essa beleza que vem da tristeza que vem da alegria que vem da pureza. Esse pulsar ritmado de coração que não descansa. Essa luz por trás dos olhos. Esse bem por trás da cortina da carne. Essa serenidade por trás da dor. Dor de viver e exercer solidão.
 
Seus olhos, sendo meus, veriam toda a história da sua vida. Veriam o futuro, como nas histórias de videntes e mágicos. Veriam um futuro, entre tantos que podemos desenrolar, a gosto do caminho que escolhemos ou que nos escolhe. Nunca sabemos que virá antes, se nossas próprias braçadas ou as poderosas correntes marítimas.
 
Você arrastaria seus olhos para onde quer que fosse. Agradeceria pra sempre o 1 segundo que deu vida aos seus olhos de novo. Seria impossível não fazê-lo. Sentiria como que uma janela se abrindo depois de um inverno interminável. Sol e calor, no entreato da vida.
 
Seus olhos seriam utópicos. Duas contas de mel tentando tocar estrelas. Feixes de sol a jogar raios naquilo que se desejava escondido e indesvendável. Doeria, mas finalmente você entenderia tanto sonho. Aceitaria tanta luz ofuscando o olhar.
 
Mas você não sou eu. Seus olhos não são os meus. Ainda bem. É pesado demais ver a si mesmo. Essa descoberta tem que ser só sua. Com lágrimas, mas também com gotas de mel.

Escrito por mim às 22h00
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11/09/2006


Épicos da Fauna Corporativa

Salva por uma oréba
 
17 da tarde, reunião "de área". Colegas mais chefe discutem possibilidades de compensação do banco de horas devastado devido à mudança de endereço empreitada pela organização no início do ano. Estudam os próximos eventos do semestre, checam planilhas, discutem chances de trabalho nos finais de semana e feriados.
 
Até que chegam na festa de confraternização, uma "ótima chance para descontar algumas horinhas". Então, surge a dúvida: qual será o papel de cada uma no evento? "Isso depende dos talentos individuais", responde a chefe. Segue-se um rápido desfiar de endomarketings pessoais individuais - escrevo discursos, declamo poesias, toco gaita, canto, etc. 
 
Meditativa, ela levanta o dedo e, corajosamente, revela seu talento obscuro ao mundo:
 
"Eu mexo a orelha".
 

Escrito por mim às 18h24
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06/09/2006


Melhor descoberta desse dia frio, chato, revoltado e de criatividade ZERO!

lost_socks

Escrito por mim às 17h33
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Revolt descontrol III

Eduardo Galeano, salve salve...

Prezado Senhor Futuro,

Com a minha maior consideração:
Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo.
Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade.
E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além.
E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.
Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.
Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.

Saúda-te atentamente,

Um Terrestre

Escrito por mim às 15h37
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Brindemos ao feriado que se aproxima!

Classe Média, música de Max Gonzaga e Banda Marginal

Sou classe média

Papagaio de todo telejornal

Eu acredito

Na imparcialidade da revista semanal

 

Sou classe média,
compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos" e
vou de carro que comprei a prestação

 

Só pago impostos,
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um
Pacote CVC tri-anual

 

Mas eu "tô nem aí"
Se o traficante é quem manda na favela

Eu não "tô nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

 

Mas fico indignado com o Estado
Quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado
Que me estende a mão

 

O pára-brisa ensaboado
É camelô, biju com bala
E as peripécias do artista
Malabarista do farol

 

Mas se o assalto é em "Moema"
O assassinato é no "Jardins"
E a filha do executivo
É estuprada até o fim

 

Aí a mídia manifesta
A sua opinião regressa
De implantar pena de morte
Ou reduzir a idade penal

 

E eu que sou bem informado
Concordo e faço passeata
Enquanto aumento a audiência
E a tiragem do jornal

 

Porque eu não "tô nem aí"
Se o traficante é quem manda na favela


Eu não "tô nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

 

Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta

Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida

Escrito por mim às 15h22
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Burocratas travestidos de poetas

Arnaldo Antunes, salve salve

Eu apresento a página branca.

Contra:
Burocratas travestidos de poetas
Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Estórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros
Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto,
do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto
coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.
Eu apresento a página branca.
A árvore sem sementes.
O vidro sem nada na frente.
Contra a água.

Escrito por mim às 14h22
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04/09/2006


Esqueci dessa

(analisando meus cabelos brancos)

- Mãe, você já é velhinha!

(olhando para a minha cara de ´tristeza´)

- Quero dizer, seus cabelos já são velhinhos!

Escrito por mim às 22h12
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Tenha sempre uma baixinha ao seu lado

- Mãe, essa moça se acha. (cochichando no meu ouvido)

- Por que, filha?

- Porque ela força a voz.

Mais uma para a coleção... ;-)

Escrito por mim às 18h15
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Ainda o Orkut

Descobri por que gosto tanto das meninas do "2 Neurônio": elas lêem meus pensamentos quase que no mesmo momento em que eles acontecem...ou seria eu quem leio a cabeça delas? Enfim, mais um estranho caso de insconsciência coletiva seguida de expressão escrita... Como é o caso do texto abaixo, que merece reprodução integral aqui.

Internet é a morada do demônio

Por Jô Hallack, Nina Lemos, Raq Affonso - 02neuronio@uol.com.br

A INTERNET é a morada do demônio. O Orkut é a casa onde moram os freaks e assim vai a vida. Como tivemos certeza? Bem, chegou em nossas caixas postais um spam um tanto obsceno. Nele, havia imagens de um casal trocando mensagens eróticas pela internet. Um diretor de TV. E, supostamente, uma candidata a garota que aparece de biquíni em programas de TV. E o que a gente tem a ver com isso? Nada! Nem a gente nem um milhão de pessoas do Brasil que receberam o e-mail. Que teria sido mandado, segundo a lenda, pela própria mulher, que queria justiça para as atrizes que fazem teste do sofá. Um caso de Glenn Closisse aguda!

Depois ouvimos boatos de que a tal mulher nem figurante era. Mas lemos, aqui mesmo na Folha, que o diretor em questão foi demitido. Tudo por causa de um freak da internet! E a história terminou assim: o sujeito na rua e uma certeza. Pessoas malucas moram na rede e podem fazer coisas horrendas.

E tudo isso é potencializado em um lugar onde você não vê a cara da pessoa e onde as vidas são editadas. É sim! Porque as pessoas no Orkut escolhem sempre a melhor foto? Pura edição. E isso não tem nada a ver com a vida real, além de ser muito perigoso. Todos nós sabemos que a internet é a terra dos mentirosos, que as pessoas inventam, aumentam, falam que são bonitas e carinhosas. Quando na verdade são problemáticas, estão acima do peso e com problemas de relacionamentos.

Sim, a internet é legal. Fazemos novos amigos na rede. Senão, que graça teria passar as noites em frente a um monitor?! Se você não pode dar um Google Image atrás de um pretê de vez em quando, suas horas online ficam menos divertidas! Só que, de uns tempos pra cá, ficamos meio assustadas com esses "stalkers virtuais". Umas pessoas que inventam, entram em contato, vasculham a vida e quando você vê... não são nada daquilo que falaram! Quase nos sentimos o Michael Douglas em "Atração Fatal". Perseguidas pela Glenn Close.

Momento de histeria:

Off-line no computador e on-line na vida

Escrito por mim às 14h03
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01/09/2006


Gil, 1985

Não é natal
Nem ano bom
Nenhum sinal no céu
Nenhum Armagedom
Nenhuma data especial
Nenhum ET brincando aqui no meu quintal

Nada de mais, nada de mal
Ninguém comigo além da solidão
Nem mesmo um verso original
Pra te dizer e começar uma canção

Só chamei porque te amo
Só chamei porque é grande a paixão
Só chamei porque te amo
Lá bem fundo, fundo do meu coração

Nem carnaval
Nem São João
Nenhum balão no céu
Nem luar do sertão
Nenhuma foto no jornal
Nenhuma nota na coluna social

Nenhuma múmia se mexeu
Nenhum milagre na ciência aconteceu
Nenhum motivo, nem razão
Quando a saudade vem não tem explicação

Só chamei porque te amo
Só chamei porque é grande a paixão
Só chamei porque te amo
Lá bem fundo, fundo do meu coração

"Só chamei porque te amo" - Gilberto Gil

 

E lá fora, a chuva, a chuva....

 

Escrito por mim às 22h15
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