Caindo pra cima


23/10/2006


Tesão

Eis meu penúltimo post no Caindo. Daqui dois dias este blog cai no buraco negro da net. Pra quem divulgou, em seus próprios blogs, este endereço algo poeta, algo auto-biográfico, algo filósofo, algo besta (ufa!) , já podem colocá-lo na lista de "antigos" ou "inativos".
 
Tô "quase lá" de primeira experiência como blogueira. Mesmo que esse quase lá seja uma propaganda enganosa. Se você ler o primeiro post, vai ver que já comecei incoerente (minha cara!), pois prometi desfilar aqui, entre outras merdas, as literárias. No entanto, foram muito poucas as produções que tive coragem de publicar. Especialmente com estes visuais lindos e esse super espaço para escrever proporcionado pelos templates do UOL...(conversa para boi dormir
 
Depois daquele começo promissor, passei a usar esse canto, mesmo, foi para filosofar e também para substituir a ausência de um divã. Para minha surpresa, a coisa foi engrenando e, graças à minha fiel companheira, Dona Timidez, fui ganhando alguns poucos, mas fiéis ´passeadores´. Momento de glória ouvido desde então: "Sabia que você tem alguns fãs aqui em casa"?
 
Conheci alguns fãs dos meus pensos e, mais legal ainda, fiquei eu mesma fã de outros que, como eu, fazem de seus blogs uma forma de expressão com e sobre o mundo e, principalmente, sobre sigo mesmos. Frase definitiva ouvida desde então: Ok, sente-se! É só mais uma pessoa que cria um blog em vez de procurar tratamento.
 
Enfim...queria terminar esse meu cantinho com um super texto legal, cheio de referências e resultados de pesquisa no Google. Quem sabe no dia 25? Mas a idéia dele não é desfilar minha capacidade cognitiva (felizmente?) e, sim, falar de mim mesma (infelizmente?). Então, o que oferecer nesse até logo? Um balanço particular da "minha primeira vez", por meio de uma listinha de "perguntas e respostas frequentes":

Escrito por mim às 21h20
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Tesão

O que é blogar?
Duas horas em pé no ônibus lotado, um calor desgraçado. Blogar é chegar no destino com um texto na cabeça, prontíssimo, sobre o problema do transporte público. Ou sobre o papo que você ouviu dos passageiros do seu lado. Ou sobre dicas de como "se virar nos 30" nos busos.
É levar esporro do chefe, fora da namorada, lambada da vida, e ter onde chorar as pitangas sem encher o saco de ninguém. 
É estar em crise existencial, profissional e outros "al" - e transformá-las em prosa ou poesia.
É escrever sobre si mesmo, mesmo quando está escrevendo sobre os outros.
É divulgar idéias e causos interessantes e pitorescos, muitos deles guardados num passado distante. "Era uma vez, quando eu jogava Keystone Kapers no Atari..." 
É construir o seu retrato escrito (passado, presente e futuro).
É registrar coisas legais que você não quer ver perdidas na memória.
Aliás, é construir um pedacinho ou pedação da sua memória.
É ser cyberativista. É ser indignado. É ser jornalista (em alguns casos).
 
Porque as pessoas investem seu tempo e seus neurônios nisso?
Primeiro, porque ter um blog é fácil, rápido, simples e barato - pra quem tem computador e internet, claro.
Segundo, porque com um blog, você: 
- se expressa sem censuras (só as suas próprias, que já tão de bom tamanho!)
- faz novos e encontra velhos amigos e descobre que são tão psicanalíticos quanto você.
- vira parte de alguma coisa, um novo "círculo".
- conhece melhor o que pensam e como vivem pessoas interessantes.
- sente que pode fazer alguma coisa útil com a internet.
- encontra gente identificada com os mesmos pensamentos e idéias.
Terceiro, porque blog VICIA.
 
Como assim?
Blog é uma terapia escrita. Escrever é um tesão. E tesão VICIA.
 
Como se comporta o viciado?
Uma vez escrito o primeiro post, ele passa a ter milhões de idéias para milhões de outros textos. Inclusive sendo atormentado várias vezes ao dia e algumas à noite por idéias fixas e textos inteirinhos. Aí, na tentativa de dar conta, outras milhões de novas idéias se sobrepõem às antigas. De duas uma: ou o sujeito enlouquece, ou vira blogueiro 24 hrs por dia - ou seja, enlouquece.
Outro sintoma comum do bloguiciado é sentir pânico de perder a chance de compartilhar uma idéia ou um pensamento legal com outras pessoas. O sujeito passa a andar com blocos de papel, caneta, etc, até quando vai ao banheiro. Sorte das outras pessoas. Ou não.
Aliás, isso que eu escrevi acabou de me dar uma idéia para um texto sobre locais propícios para ter idéias...
 
E os outros viciados do "círculo", como agem?
Da mesma forma descrita acima. Com alguns adicionais que podem variar de pessoa para pessoa, como criar uma rotina de visitas diárias a outros blogs legais, deixar comentários, participar de blogagens coletivas, adicionar blogs interessantes ao seu próprio...
 
Então, afinal, o que é um blog?
É uma página auto-confessional. Ninguém bloga senão para desabafar, conhecer a si mesmo, tentar resolver um problema na base do "amadurecendo idéias dentro de mim". Mas também é tentar compreender melhor o mundo, buscar convergência de idéias, conscientizar. É sempre uma produção intencional, mesmo que aparentemente despretensiosa.
 
Então, afinal, blogar ou não blogar?
Blogar, claro. E agora dá licença que preciso começar meu terceiro cafofo. Tchau!

Escrito por mim às 21h20
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20/10/2006


Carangueijo peixe é

Era pra ser um texto sobre minha ida ao Jardim Novo Osasco, periferia de Osasco. Era pra ser alguns pensamentos meio soltos sobre como é bom sair detrás da tela do computador e encarar a tela da vida pulsando lá fora. Principalmente quando a vida tem menos de 6 anos.
 
Acontece que fiquei lembrando de um texto, desses que rodam na internet e nunca se sabe a origem. Minha memória e meu tempo para blogar não permitem conferir a autoria, mas o artigo falava da inexistência da liberdade plena. Homens e mulheres vivem em pequenas e grandes prisões, algumas escolhidas por eles próprios, outras impostas pela sua situação de vida. O máximo de liberdade que podemos alcançar, na visão da autora ou autor, era escolher em que prisão queremos viver.
 
De um jeito meio que transversal, outras vezes pela tangente mesmo, sempre toquei nesse assunto aqui no cafofo. Sou do tipo de pessoa que acredita que, sim, existirá uma época, um lugar e uma consciência totalmente novos, e neste momento o planeta será um lugar pleno de liberdade. Liberdade não é melhor palavra. Talvez seja melhor pensar em um lugar pleno de plenitude. 
 
Não que eu não tenha certeza que vivemos pulando de prisão em prisão. Quem é besta de duvidar disso? O que não é motivo para não imaginar, desejar, lutar e esperançar um capítulo novo. Uma história sem as amarras do passado. Sem os preconceitos, os vícios e as dores se arrastando atrás de cada novo bebê que nasce.
 
Mas voltando às crianças de Osasco... que catzo elas têm a ver com esse mundo ideal, ou idealizado? Deixo a resposta para a Stefany:
 

“Eu quero ser médica porque quero cuidar de um monte de gente e de criança. Eu falei pra minha mãe: ´Mãe, eu vou ajudar os outros´. Falei para ela que eu quero ser médica para ajudar os moradores que moram na rua . Eu tenho muita pena deles.

 

Aí minha mãe me disse que tem que estudar muito pra ser médica. Aí eu estudo, estudo, estudo... assim, muito! Até na minha casa eu estudo. Aí eu vou ser médica.”

 

Aos 5 anos, a Stefany já escolheu sua prisão. A prisão mais libertária que eu já vi. Queria tanto acreditar que ela não será mais uma brasileira tragada pela prisão - essa sim, real - da pobreza, da cor e da falta de portas pra se abrir...

Escrito por mim às 15h22
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17/10/2006


Épicos da Fauna Corporativa

Sonhos
 
"Ontem eu sonhei que em vez de usarmos nossas vozes para falarmos uns com os outros, dizíamos somente
´Entra no MSN!´ e voltávamos ao nosso silêncio habitual - apesar de sentarmos lado a lado". 
 
"Ontem eu sonhei que o Credonilson chorava desesperado porque tinha sido despedido, e juntava um monte de gente em volta dele para assitir seu desespero".
 
"Ontem eu sonhei que só tinha sobrado vocês três para apagar as luzes daqui: uma saia chorando, outra rindo e outra tirando foto de tudo".
 
"Ontem eu sonhei que alguém me dava o maior esporro por ter esquecido de colocar um texto na intranet, mas não me lembro o que era..."
 
"Ontem eu sonhei que era um vaso de barro"
 
 
 

Escrito por mim às 22h27
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16/10/2006


Instituto Tomie Ohtake, domingo

Cena 1
 
Marina e Vinícius param na frente de uma "video-instalação" em que uma mulher risca o próprio corpo com caneta BIC vermelha.
 
Marina:
- Olha, é uma mulher...
Vini:
- É...olha o peitão.
Marina:
- Igual o da sua mãe...
Vini:
- Olha! Olha! Ela tem pingolim!
Marina:
- Hahaha! Isso é uma pupuca, ô!
Vini:
- Igual a da sua mãe!
 
E os dois caem numa sonora gargalhada...
 
 
Cena 2
 
Em outra sala, uma outra "video-instalação" mostra um homem - pelado - se equilibrando entre cadeiras derrubadas no chão.
 
Enquanto todos olham com aquela cara de "que coisa ridícula, mas tenho que manter minha pose intelectual"...
 
...Nina e Vini caem noutra escandalosa gargalhada...
 
 
Cena 3
 
Mais tarde, na instalação da "mulher que se risca":
 
- Mãe, porque ela tá pelada?
- Porque ela gosta de se exibir, Nina.
- Porque ela tá se riscando com caneta?
- Porque ela tá fingindo que o corpo dela é um caderno.
- Porque?
- Porque ela é artista e artistas fazem coisas diferentes.
- Porque ela faz coisas diferentes?
- Porque ela é artista.
- Porque?
- Ai...desisto! Porque ela é LOUCA!
....
- Porque?
 
 
Cena 4
 
Vini entra em outra "instalação", uma espécie de casinha de pau-a-pique de favela, e anuncia:
 
- Pode entrar, pessoal, não tem ninguém pelado aqui dentro...
 
 
 
 
Quem disse que ir a exposições de arte não é divertido?
 
 
 
 

Escrito por mim às 19h14
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Conexão barriga-fogão

+-20h30, mesa do jantar:

- Mãe, já sei porque que eu gosto da sua comida tanto?

- Porque, Nina?

- Porque eu vim de dentro da sua barriga! 

Êita, sina... 

 

Escrito por mim às 13h30
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10/10/2006


Contagem regressiva em estilo crássico

"It´s wonderful...

It´s marvelous...

That she should care about meeeee!!!!"

Dou um doce de batata doce pra quem descobrir de que filme vem essa musiquinha.

Maestro, duas dicas:

Cenário: Paris 

Ator principal: Gene Kelly

 

Escrito por mim às 13h46
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09/10/2006


Se eu pudesse

Compraria um fusca azul
E um karaokê só pra mim
Andaria descalça na calçada
Pararia pelada na sacada
Compraria bilhete de avião
Praticaria pratical jokes no metrô
Andaria sozinha na multidão
Contaria meu segredo mais secreto
Tentaria ser muito boa em alguma coisa
Ou algo ruim em todo sentido
Decidiria se paixão ou se razão 
Faria bundalelê no McDonalds
Puxaria papo com o gari
Ajudaria o mendigo a mendigar
Meninaria com o menino
Valsaria na frente do sinal
Não frase-feito-faria
Não comum-lugar-estaria
Não Maria seria
Seria Joana
D´Arc
 
Mas...
 
....eu tenho medo. 

Escrito por mim às 18h50
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Balada do (pré)adeus

Arre! Vai fazer um ano que blogo no Caindo. Tá na hora de fechar a conta. No dia 25 de outubro, esse cafofo eletrônico se auto-destrói. Ai que data linda...I see dead blogs. E também uma próxima etapa na roda do prazeres bloguísticos, que se iniciará com... outro blog. Será que estarei tendo o pique necessário pra começar de novo, com a vida que estarei levando? Só o tempo estará dizendo!

Só digo uma coisa: o título do meu próximo blog não começará com gerúndio!

 

Escrito por mim às 15h54
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06/10/2006


Ensaio sobre as velhinhas

Mulheres com mania de perseguição costumam achar que atraem loucos e bêbados nas ruas. Eu, ao contrário delas, não acho, tenho certeza que atraio. Basta estar ali, paradona no meu canto, pensando na morte da bezerra, e...pimba! Lá estou eu administrando um desconhecido.
 
Confesso que isso pode ser bem chato. São pessoas tristes, perdidas e infelizes buscando algum sentido em alguém que escolhem a esmo. Dá dó? Claro que dá! Mas não vou ser hipócrita dizendo que isso não me incomoda nadica nem desperta um pouco de medo. É o preço de morar em Sampa: você desconfia até da própria sombra e, uma vez na rua, tudo o que deseja é voltar logo pro seu esconderijo.
 
Mas sempre tentei fazer minha parte como ser-o-mano, no mínimo ouvindo de coração aberto o que a pessoa tem a dizer. Com essa atitude, acabei descobrindo gente diplomada, poliglota e verdadeiros poetas morando nas ruas. Sempre pensei que eram meus olhos de cachorro com fome que atraiam os colegas loosers pra perto. No entanto, comecei a repensar a teoria quando, um dia...
 
- Esse ônibus que não chega nunca!
 
Olhei pro lado e lá estava uma senhora, toda arrumadinha, reclamando do transporte público. Foi na década de 90, quando, com meus 13 ou 14 anos, cruzava a cidade num busão para fazer fisioterapia. Deste dia pra frente, cada vez que descia a minha rua, em Cidade Ademar, e me acomodava entre os passageiros no ponto da avenida Cupecê em frente ao boteco, vira e mexe contava com uma velhinha boa de papo ao meu lado. 
 
As conversas começavam quase sempre com comentários sobre o tempo ou sobre as linhas de ônibus, passavam pelas condições do bairro e terminavam com um até logo simpático, já com um pé apoiado no degrau do ônibus. Já na Cásper, minha primeira entrevista foi com dona Rosa, uma moradora de rua de 75 anos que, assim como a Estamira, catadora de lixo que virou documentário, transbordava sabedoria pelos olhos verdes e tristes. As velhinhas de cabeça branca das ruas foram, então, conquistando minha maior simpatia. Coisa que não era muito difícil, em vista das duas vovós fenomenais que tenho.
 
E assim foi até que, um dia, comecei a trabalhar no centro da cidade, no meu primeiro emprego de verdade na comunicação. Trabalhava na ACM (sim: o Y..M...C...A, do Village People). Não sei se você sabe, mas a ACM, especialmente a unidade centro, é um clube de esportes especializado em velhinhos. O que é curioso, em vista da alta procura dos gays e das prostitutas da região pelos mesmos serviços, e circulando nos mesmos espaços. Os cabecinhas brancas são, entretanto, privilegiados pelo clube, com toda uma programação dedicada a eles, que inclui desde ginástica calistênica, uma espécie de alongamento ao som de piano, até musculação e maratona.
 
Não preciso dizer que fiz um monte de amigas acima de 60 anos, mais conhecidas como "as meninas" da ACM. Entrevistei várias delas para os materiais que fazíamos, participei de aniversários e outros eventos comemorativos. Lembro até hoje da divertida gravação do Repórter por um dia, com a Nair Bello, feita na piscina em homenagem à turma da "melhor idade" - alcunha que elas odiavam, aliás ("que porra de melhor idade nada!"). Uma época, cheguei mesmo a transferir meu horário da hidroginástica para o das "meninas". Elas eram, de verdade, muito mais divertidas que o povo da minha idade na época (19 anos).
 
Hoje, 6 de outubro, uma velhinha chamada Helena está lá no Hospital das Clínicas, cuidando do marido amputado e fraquíssimo. Igualzinho àqueles cães fiéis escudeiros (ou seriam anjos?) dos moradores de rua. Espero que, até o final do dia, possa eu estar do lado dela. Como um looser da rua que escolhe alguém, a esmo, para compartilhar sua solidão.

Escrito por mim às 15h04
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05/10/2006


As sutis cobranças femininas

Na TV, uma mãe de comercial de margarina chama a filha para brincar com ela no quarto.

Em casa, percebo um olhinho de lado só me espiando...

- Mããeee...

- O que?

- Cê bem que podia fazer que nem ela e parar de esperar que EU chame você pra brincar de casinha no meu quarto né?!

 

Escrito por mim às 23h12
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Crianças, não façam igual a mim

Olha a falta que um pesquisa bem feita e mais demorada pode fazer... É claro que achei surreal demais a história dos "Amigos da Plutão", mas jamais imaginaria que pudesse ser uma brincadeira tosca de um jornalista com 45 anos de estrada.

Bem, é meu dever me retratar pela minha ingenuidade, além de publicar aqui o desmentido. Faço isso pelas palavras do próprio Carlos Chagas, publicadas em um artigo na Tribuna da Imprensa On Line:

Retratação

Metáforas fazem parte da crônica política. Já escrevi que as oposições contrataram Sherlock Holmes para investigar a participação de José Dirceu no mensalão. Contei a passagem do genial detetive por Brasília. Nem o ex-chefe da Casa Civil sentiu-se agravado, muito menos os descendentes de Connan Doyle preocuparam-se com o uso indevido do personagem.

Com freqüência, apelando para a ficção, costumo trazer à realidade nacional mortos ilustres como Getúlio Vargas, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, que comentam e até participam de lances conturbados da política. Para não falar na intromissão de Napoleão, Maquiavel, Alexandre o Grande, Pedro Álvares Cabral e personagens da História instalados pela minha parca imaginação nas avenidas e palácios da capital federal. Nenhum protesto, até agora.

A 29 de agosto, enveredei pela mesma trilha, diante da desclassificação de Plutão de planeta para asteróide. Por conta da proliferação de ONGs fajutas mamando nas tetas do governo, uma delas, que a imprensa divulgara ser dirigida por um ex-líder sindicalista, imaginei outra, a "Sociedade dos Amigos de Plutão".

Ao descrever suas atividades, obviamente fictícias, não resisti à tentação de apresentá-la como da mesma forma presidida por líder sindical, suposto amigo do presidente, claro que inexistente, por isso jamais fulanizado. A ONG teria sede na Esplanada dos Ministérios e seus diretores empreenderiam farta e luxuosa viagem ao redor do mundo, pregando a imprescindível reabilitação de Plutão.

Esclarecendo dúvidas

Simples metáfora, mas, reconheço, sem a caracterização explícita. Como no período eleitoral que agora se encerra andam exasperadas as emoções, houve quem supusesse naquela crônica uma agressão ao PT, às lideranças sindicais, ao presidente e à Esplanada dos Ministérios. Penitencio-me, para que não haja dúvidas. A ONG "Sociedade dos Amigos de Plutão" não existe. Pelo menos, ainda não foi criada.

Para evitar a repetição de um problema que já relato, lembro a Lei de Imprensa, dispondo de uma figura denominada retratação. Quando, no mesmo espaço, na mesma página, um jornalista se retrata, reconhecendo o erro, cessa ou nem se inicia a respectiva ação penal. Por que esse cuidado? Porque não faz um mês o comitê de campanha de Geraldo Alckmin denunciou-me à Justiça Eleitoral como tendo ofendido o candidato, ao chamar de burra e ofensiva à inteligência nacional a estratégia de ficar agredindo Lula em vez de anunciar seus programas.

No TSE, em nome da liberdade de imprensa, o ministro-relator recomendou o arquivamento da ação, acompanhado em seguida pelo plenário. Seria no mínimo inusitado, na mesma eleição, ser processado pelos dois lados, mas faz tempo que de quatro em quatro anos a história se repete. Estará a virtude no meio?...

Escrito por mim às 18h45
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Alguém aí me belisca?

Estou acostumada a ler notícias surreais, revoltantes e/ou deprimentes todo dia. Aliás, no estado de coisas do nosso mundo véio de guerra, quem não está? Mas o bloco desta semana, temos que admitir, está caprichado. Três delas se destacam, pelo grau de bisonhice. Chego até a sentir uma, digamos, estranha reação entorpecente. 
 
Aquelas que chegaram via amigos, pela internet, foram interpeladas com um imediato "Menino...será que isso é verdade?", seguido do gesto de cotejar com informações de outras fontes. As que encontrei por acaso, no surfe(inho) diário pela rede, me deixaram com menos cara de São Tomé, mas ainda me sinto como num sonho (ou, melhor, dentro da obra "Esperando Godot"). São elas:
 
Com investimento de 7,5 milhões de reais, petistas criam ONG Sociedade Amigos de Plutão para protestar contra o rebaixamento do astro de planeta para asteróide (fonte: Brasília em Dia/Carlos Chagas)
 
E tem mais:
O nascimento da ONG está registrado no DOU (Diário Oficial da União)
Terá 800 diretores
Cada um deles poderá acessar, mensalmente, 20 mil reais para as atividades da organização (já viu esse filme antes?)
 
Admito que esta notícia é do começo de setembro, portanto, fria. Os únicos lugares onde foi comentada, segundo o Oráculo, foram dois ou três veículos regionais e...centenas de blogs. Só por essa estranha rejeição pelos veículos de massa merece um outro post só sobre ela.
 

Escrito por mim às 17h25
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Alguém aí me belisca? - 2

Bush aprova US$ 1,2 bi para construir muro na fronteira com o México
 
E tem mais:
O muro terá 1.200 km.
A construção, já aprovada pelo Congresso americano, foi a única medida que sobrou de uma tentativa de reforma imigratória.
Além de mais dinheiro para reforçar outras barreiras físicas, como cercas, radares e sensores infravermelhos, a lei cria mais 6.700 vagas em centros de detenção para os imigrantes presos ao cruzarem a fronteira ilegalmente.
 
Quem quiser comentar isso, sinta-se a vontade.
 
 
Governo inglês divulga plano para privatizar a Amazônia
 
Sim, eu também achei que fosse outra triste piada, mas deu no Portal Ambiente Brasil 
 
Segundo a matéria, o ministro de meio ambiente britânico lançou a proposta no México, na semana passada, em um encontro que reuniu 20 dos países mais poluidores do mundo.  
 
O objetivo do plano seria "proteger a floresta" e já teria encontrado respaldo de Tony Blair. A Amazônia seria administrada por um "consórcio internacional" e tanto grupos como pessoas físicas teriam o direito de comprar áreas da floresta.
 
Engraçado é saber que já há casos bem peculiares nesse sentido, como o do magnata estrangeiro que já comprou uma área (veja só que coincidência!) liberada para a exploração de madeira. Curioso, não?
 
Segundo a matéria, os gringos vão ser legais com a gente e "estão abertos para discutir questões de soberania nacional". Isso eles vão ter que discutir mesmo, porque o governo brasileiro, rapidinho, já avisou que mais de 70% das terras de floresta são de propriedade estatal.
 
Enfim... balão de ensaio ou não, olhaí um das mais famosas "pirações" e "teorias da conspiração" de muitas ONGs ambientais sérias - internacionais inclusive - virando notícia em lugares como Daily Telegraph e Folha On Line.
 
O único lado bom dessa palhaçada é servir de alerta para o Brasil se mexer e implementar uma política realmente eficiente de conservação, fiscalização e manejo das áreas da floresta. Faço votos.

Escrito por mim às 17h21
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04/10/2006


Tão bom...

Acabo de receber uma carta da Associação Brasileira de Imprensa felicitando meu humilde informativo pela "qualidade da publicação". Para nós, jornalistas bagrinhas que não estão nos grandes meios, ser chamada de "digníssima jornalista responsável" equivale a receber um verdadeiro prêmio!

Escrito por mim às 15h27
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02/10/2006


Cositas que fizeram do meu findi uma surpresa

Descobrir que ainda tenho um coração, e que ele ainda bate!
Até meados da semana passada, estava convencida que havia me tornado a própria Mulher de Lata, versão feminina do amiguinho da Dorothy em "O Mágico de Oz". Afinal, enquanto o mundo inteiro derramava lágrimas e mais lágrimas a cada capítulo de "O Caçador de Pipas", de Khaled Hosseini, eu tinha chorado só duas vezes (e olha que eu sou canceriana). A angústia acabou quando, finalmente, ontem, devorei as linhas finais aos prantos, tentando controlar o soluço, assoando o nariz e dizendo: "Ai... que lindo...".
 
Próxima vítima: O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.
 
O outro extremo: rir muito
Qual é o seu tipo de humor? Se for igual ao meu, recomendo que você não deixe de assistir ao hilário Minha nada mole Vida, com o Luis Fernando Guimarães, exibido sexta-feira à noite pela Grobo, e com o texto da Fernanda Young. Uma ótima surpresa - mas não vou contar nada, assista e depois me diga o que achou.
De sábado de manhã tem também Kenan e Kel no programa TV Globinho. Comecei a assistir por influência da Nina, e acabei me tornando uma viciada. Humor ingênuo e pastelão, do tipo B+ (Babaca positivo). E não poderia deixar de citar os velhos e bons The Simpsons, que sempre rendem boas e sarcásticas risadas.
Bom, mas para aproveitar essa dica de verdade, você tem que ser igual a mim, ou seja, não ter TV a cabo. :-(
Aposto que os canais pagos devem ter programas ótimos ou até melhores que os citados acima.  
 
Caraminholas aéreas ride again
Nada melhor (entre aspas) que uma tragédia pra fazer a gente se tocar o quanto somos insignificantes e limitados. A queda do avião da Gol que vinha de Manaus para o Rio, nesse final de semana, reacendeu minhas caraminholas filosóficas sobre a efemeridade da vida, além de reafirmar o meu lema: CARPE DIEM. Mas, ao lado disso, o desastre reacendeu meu medo de avião. Bem, melhor pararmos por aqui.
 
Me pegar rezando por gente que eu nem conheço
O mesmo acidente me trouxe outra curiosa reação. Depois de muito tempo sem fazê-lo, rezei um Pai-Nosso pelas pessoas que estavam naquele vôo, torcendo mesmo por um milagre que pudesse ter salvo alguém. Saiu assim, bem natural. Como o noticiário do dia seguinte mostrou, a reza provavelmente foi em vão, pois ao que tudo indica a floresta tragou a todos os 155 passageiros. Gente que voltava de pescaria com os amigos, que ia visitar a família, que ia cumprir compromissos, que levava filho pequeno no colo... Bem, melhor pararmos por aqui.
 
Ver algumas das minhas teses eleitorais comprovadas
Que no momento que Lula deixou de ir ao debate da TV Globo, dava a cartada mais arriscada e duvidosa de sua campanha, com grande risco de fazer crescer, de última hora, o eleitorado do Alckmin. Que o povão traria de volta gente como Maluf, Collor, Clodovil (sim, ele já foi parlamentar antes), Russomano e quetais. E que, sim, ele, o homem, o cãozinho dos teclados, o rei do forró....FRANK AGUIAR (au!) venceria de lavada para federal.
 
Soninha fora! :-(
Minha candidata é ótima vereadora, jornalista, comentarista esportiva e "pessoa humana"*, mas péssima em marketing político. Talvez isso explique a parca votação pra cadeira no legislativo federal por São Paulo. Uma pena. Soninha tem muita garra, ética e propostas ótimas para melhorar a vida das pessoas, especialmente dos adolescentes e jovens.  
 
 
* expressão escolhida em homenagem ao meu irmão Luciano (rs)

Escrito por mim às 18h05
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