O que é blogar?
Duas horas em pé no ônibus lotado, um calor desgraçado. Blogar é chegar no destino com um texto na cabeça, prontíssimo, sobre o problema do transporte público. Ou sobre o papo que você ouviu dos passageiros do seu lado. Ou sobre dicas de como "se virar nos 30" nos busos.
É levar esporro do chefe, fora da namorada, lambada da vida, e ter onde chorar as pitangas sem encher o saco de ninguém.
É estar em crise existencial, profissional e outros "al" - e transformá-las em prosa ou poesia.
É escrever sobre si mesmo, mesmo quando está escrevendo sobre os outros.
É divulgar idéias e causos interessantes e pitorescos, muitos deles guardados num passado distante. "Era uma vez, quando eu jogava Keystone Kapers no Atari..."
É construir o seu retrato escrito (passado, presente e futuro).
É registrar coisas legais que você não quer ver perdidas na memória.
Aliás, é construir um pedacinho ou pedação da sua memória.
É ser cyberativista. É ser indignado. É ser jornalista (em alguns casos).
Porque as pessoas investem seu tempo e seus neurônios nisso?
Primeiro, porque ter um blog é fácil, rápido, simples e barato - pra quem tem computador e internet, claro.
Segundo, porque com um blog, você:
- se expressa sem censuras (só as suas próprias, que já tão de bom tamanho!)
- faz novos e encontra velhos amigos e descobre que são tão psicanalíticos quanto você.
- vira parte de alguma coisa, um novo "círculo".
- conhece melhor o que pensam e como vivem pessoas interessantes.
- sente que pode fazer alguma coisa útil com a internet.
- encontra gente identificada com os mesmos pensamentos e idéias.
Terceiro, porque blog VICIA.
Como assim?
Blog é uma terapia escrita. Escrever é um tesão. E tesão VICIA.
Como se comporta o viciado?
Uma vez escrito o primeiro post, ele passa a ter milhões de idéias para milhões de outros textos. Inclusive sendo atormentado várias vezes ao dia e algumas à noite por idéias fixas e textos inteirinhos. Aí, na tentativa de dar conta, outras milhões de novas idéias se sobrepõem às antigas. De duas uma: ou o sujeito enlouquece, ou vira blogueiro 24 hrs por dia - ou seja, enlouquece.
Outro sintoma comum do bloguiciado é sentir pânico de perder a chance de compartilhar uma idéia ou um pensamento legal com outras pessoas. O sujeito passa a andar com blocos de papel, caneta, etc, até quando vai ao banheiro. Sorte das outras pessoas. Ou não.
Aliás, isso que eu escrevi acabou de me dar uma idéia para um texto sobre locais propícios para ter idéias...
E os outros viciados do "círculo", como agem?
Da mesma forma descrita acima. Com alguns adicionais que podem variar de pessoa para pessoa, como criar uma rotina de visitas diárias a outros blogs legais, deixar comentários, participar de blogagens coletivas, adicionar blogs interessantes ao seu próprio...
Então, afinal, o que é um blog?
É uma página auto-confessional. Ninguém bloga senão para desabafar, conhecer a si mesmo, tentar resolver um problema na base do "amadurecendo idéias dentro de mim". Mas também é tentar compreender melhor o mundo, buscar convergência de idéias, conscientizar. É sempre uma produção intencional, mesmo que aparentemente despretensiosa.
Então, afinal, blogar ou não blogar?
Blogar, claro. E agora dá licença que preciso começar meu terceiro cafofo. Tchau!